Resenha | Dora e a Cidade Perdida (2019): maior do que você pode imaginar

Dos muitos live actions que tivemos este ano, poucos conseguiram envolver o público. Com a maioria oriundos da Disney, como “Dumbo”, “Aladdin”, “Rei Leão”, “Malévola: Dona do Mal”, depois da doçura que foi “Turma da Mônica: Laços”, é hora de mais uma adaptação infanto-juvenil mostrar a sua força. Não adianta nada querer negar a incredulidade – você pode assumir? É isso aí – que bateu quando a notícia de que Dora, a Aventureira invadiria as telonas. O mais incrível é que a magia em “Dora e a Cidade Perdida” gera o efeito enorme de uma aventura hilária e relevante.

Título: Dora e a Cidade Perdida (“Dora and the Lost City of Gold”)
Direção: James Robin
Ano: 2019
Pipocas: 8,0/10

Estourando em 1999, a animação educacional conhecida no Brasil como “Dora, a Aventureira” ganhou notoriedade por trazer uma pequena garota latina de seis anos embarcando em diversas peripécias, carregando uma mochila falante ao lado do seu amigo macaco chamado Botas. Em cada episódio, ambos tinham que resolver casos “embaraçosos” com outros personagens, e tudo se passava na tela de um computador simulando a interação do espectador com universo fantasioso da garotinha.

Se transportando de um pequeno monitor para a tela de cinema, agora não mais seguiremos uma Dora de seis anos, e sim uma adolescente (Isabela Merced). Ainda acompanhada do amigo Botas, numa história ambientada nas florestas peruanas. Agora prestes a encarar o ensino médio enquanto precisa de reforço total para resgatar os pais das mãos de mercenários e se até aí não estiver pouco, resta também para mocinha o mistério de uma cidade de ouro perdida, a chamada Parapata – você está pronto para se aventurar? Então vamos nessa!

Eugenio Derbez, Nicholas Coombe, Jeff Wahlberg, Madeleine Madden e Isabela Merced em cena do filme.

Já marcando pontos pelo título nacional agradável, “Dora e a Cidade Perdida” teve um belo uso do material de origem comandado por James Robin, que formou um filme habilidoso com uma mensagem importante. Desde a representatividade com o elenco latino, o foco da história é passar autenticidade, principalmente através da figura de sua protagonista. O que foi uma escolha inteligente desenrolar o escopo partindo da adolescência, mesclar para descobertas pessoais e aceitação – é genérico o plot coming-age, não é mesmo? Mas não importa.

Da ideia de mistério por lugares desconhecidos, grupo de opositores e os mocinhos explorando a selva, tudo espelha familiaridade nesta missão da Dora aventureira adolescente. Contudo, o que mais encanta é a naturalidade com o que a narrativa te fisga, e quando pensar em se sentir culpado por não acreditar que está gostando, se assustará por de fato estar cativado pela desenvoltura da trama em entreter o espectador e arrancar risos sinceros.

Há as piadas prontas, as cenas calculadas para causar humor, os momentos dignos de vergonha alheia, mas apesar disso, as sacadas para a comédia funcionam e encontram um efeito divertidíssimo para a narrativa se sustentar até o término da aventura que já sabemos como irá finalizar.

Michael Peña, Isabela Moner e Eva Longoria em cena do filme.

E nada melhor do que quando a trama não desperdiça personagens. Começando pelos pais bregas e amorosos, juntar Michael Peña e Eva Longoria para esta missão foi só mais um acerto para o elemento humorístico do longa, assim como Dora e seus amigos na árdua tarefa de resgatar os adultos. O que só serviu para o café com leite da inesperada interação do improvável grupo que rompe com as diferenças por um bem maior – o que ninguém liga, mas dá certo, acredite!

Ainda quebrando a quarta parede, “Dora e a Cidade Perdida” é a aventura solo de que você não espera gostar tanto. Nas trilhas mais comuns das selvas, o live action se propôs a narrar a representação heroica de uma jovem que acima de tudo luta pelos seus ideais e para sempre ser autêntica – você iria querer perder esse risco?


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.