Resenha | Deadpool 2 (2018) traz sua idiotice aprimorada

É um erro levar alguns produtos culturais a sério. Quando “Deadpool” foi lançado em 2016, ele se tornou a bandeira neste sentido: filmes de heroi não precisam ser sérios, nem ter peso, nem drama. Com a maturidade de um garoto da quinta série do ensino fundamental, o Mercenário Tagarela decepou cabeças, protagonizou cenas sexuais e fez piadas de todos os tipos. Agora, em “Deadpool 2”, o antiheroi aumenta suas próprias apostas e entrega um filme mais maduro, embora tão idiota quanto o primeiro.

Deadpool 2 : Poster

Título: Deadpool 2

Direção: David Leitch

Ano: 2018

Pipocas: 8/10

Na trama, o Piscina de la Muerte (Ryan Reynolds) já está trabalhando internacionalmente como assassino contratado, enfrentando máfias e vilões mundo afora. Quando uma tragédia o acomete, Deadpool precisa parar e pensar se há um lugar ao qual ele pertença. Uma oportunidade se apresenta quando Russel (Julian Dennison), um adolescente mutante, passa a ser perseguido por um soldado do futuro chamado Cable (Josh Brolin). Na busca por proteger o garoto, Deadpool tentará (e provavelmente falhará) montar sua própria versão de o que é uma família.

Se o filme de 2016 era excessivamente estúpido em suas piadas escatológicas, em “Deadpool 2” vemos o roteiro abrir mão de parte das piadas de pinto-e-bunda (embora elas ainda existam) para focar em uma quebra maior da quarta parede. Estas quebras se dão menos falando com a audiência e mais fazendo inúmeras referências ao nosso universo. O filme serve críticas à “Logan”, à Fox, apresenta pontas de personagens famosos e até invade outros longas para tentar consertar erros passados do estúdio.

deadpool 2

Conseguindo basear seu humor mais no nosso mundo do que em genitálias, as piadas parecem um pouco menos idiotas – e não que haja algo ruim em ser idiota; era algo de que o filme se orgulhava e fazia de propósito, e isso não é um problema. No entanto, a mudança de direção só traz benefícios: além de agradar o público que ovacionou o filme anterior, a sequência também consegue divertir aquelas audiências que o humor escrachado de seu antecessor tinha alienado.

Tentar analisar o longa além do seu humor e violência é procurar pelo em ovo, chegando quase a ser desonesto criticar furos na trama; seria como caçar verossimilhança na franquia dos caras velozes e furiosos. Sua proposta desde sua primeira cena é o absurdo, então qualquer solução estúpida está tão dentro da capacidade do filme quanto suas piadas estúpidas. “Deadpool 2” tem um roteiro tão insano quanto seu humor sugere, subvertendo expectativas com frequência, para resultados mistos. Por um lado o filme mina suas próprias tentativas de ter peso dramático, e qualquer drama que Wade enfrente parece inócuo. Por outro lado, a criação e o posterior desenvolvimento da X-Force é extremamente criativo, e uma janela de catarse para toda a violência que os roteiristas tinham em seu coração sombrio, mas não sabiam como encaixar no longa.

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Desta forma, ame ou odeie a introdução, desenvolvimento, conclusão ou alguma das duas cenas pós-créditos, “Deadpool 2” é o que é: um filme baseado em quadrinhos, mas pensado por um roteirista da MAD. Tão estúpido quanto divertido, abre mão de se levar a sério mesmo nas suas cenas (teoricamente) mais dramáticas, sacrificando o que for preciso por uma piada – seja ela boa ou ruim. Um filme com maturidade de 15 anos proibido para audiências de 15 anos, o novo longa do Mercenário Tagarela tem o que é necessário para chocar e fazer rir – custe o que custar.

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.