Resenha | Cemitério Maldito (2019): desenterrar não fez diferença

Tão habitual como qualquer mesmice em Hollywood, não há nenhuma surpresa quando um livro do Stephen King é adaptado para o cinema; talvez a história mais inusitada do horror venha do autor. Dessa vez, a obra se trata de um remake, porém, em um feito mediano, “Cemitério Maldito” mostra que nem sempre desenterrar faz a diferença.

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Título: Cemitério Maldito (“Pet Sematary“)
Ano: 2019
Direção: Kevin Kölsch, Dennis Widmyer
Pipocas: 6/10

A trama é centrada no médico Dr. Louis Creed (Jason Clarke) e Rachel (Amy Seimetz) que decidem se mudar de Boston para a área rural do Maine com os dois filhos, Ellie (Jeté Laurence) e o pequenino Gage (interpretado pelos gêmeos Hugo e Lucas Lavoie). O que estava longe do cogitado, era que a descoberta de um cemitério de animais faria com que segredos e dores viessem à tona.

São mais do que genéricos enredos em que, uma família se muda e lá vivenciam atividades aterradoras. O bom da história de King é a urgência com que ela molda o atrito entre o conjugue e a comunicação dos pais com os filhos, para depois encaixar o terror nesse contexto.

Ao mesmo tempo em que a dúvida de Ellie para a morte começa a ser traçada, é notório o quanto o assunto é um tanto delicado para as figuras parentais. Enquanto para o pai o medo de expor ideias que comprometam o bem-estar da filha seja evidente, para a mãe é sinônimo de traumas que ainda não foram tratados. Com isso, fica claro que a mudança para um novo lar não significava uma transposição radical das pendências emocionais que assolavam o casal por falta de conversa.

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É só uma questão de tempo para que as extensões da dor e do pavor tomem as rédeas de tudo o que acontece. Infelizmente, a direção se limita em inserir elementos manjados, como, alucinação para personificar o bloqueio destes sentimentos, do mesmo modo apela para uma construção sombria e acertada para compor o anúncio do grande mal que está por vir sobre os Creed. Mas o problema não foi o elemento em si, e sim a maneira em que foi inserido e tratado.

Embaixo de todo esse aglomerado de tensão, o mais assustador é ver como o desespero toma conta ao ter o conceito da morte fazendo toda uma família ruir; é vislumbrar como uma pequena faísca foi capaz de expor a assolação para o pai perceber que estava perdendo tudo que amava e que não estava disposto a aceitar tudo isso.

Os efeitos foram ter caos em cima de caos e a lástima ampliada. Pior do que experimentar a ausência daquilo que estimava, foi não possuir nenhum controle das proporções tomadas, e só se dar conta de que reverter é impossível.

Contudo, mesmo tendo esse argumento pesado e devastador como plano de fundo, a execução não acompanha com o mesmo esmero. A sensação foi de uma tomada superficial de acontecimentos calculados, prontos para acontecer. Tanto que fica evidente a falta de preocupação dos diretores em se aprofundar em algumas questões apresentadas; sem muita preparação, tomam forma em tela permanecendo no raso.

Assim, enquanto tem uma história impactante e apavorante sendo desenvolvida, o filme se define mais como um produto de sustos fáceis, bizarrices visuais em slow motion do que com o teor de terror psicológico que a trama pede. Logo, todas as consequências do luto, que deveriam ser o ápice, não foram arquitetadas no mesmo patamar que os impactos quiseram passar.

A boa notícia é que a refilmagem conseguiu finalizar o que começou, ainda que de maneira amarga para inferir uma comoção. Posto isso, “Cemitério Maldito” se encaixa como um desses remakes que, sem muita relevância, serão esquecidos. Entretanto, a boa bilheteria é sinal de que uma sequência não seja descartada.


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.