Resenha | A despretensiosidade engenhosa de Cegonhas (2016)

“Cegonhas” moderniza a resposta para uma das coisas que ouvimos por aí desde sempre: “desconcertante” pergunta “de onde os bebês vêm?”. Essa é uma ótima fórmula para abordar ótimas histórias, os famosos “e ses”: e se os carros falassem, e se os brinquedos tivessem vida quando os humanos não estão por perto, e se a DC fizesse filmes tão bons quanto suas animações? Com isso em mente, “Cegonhas” visita a esse conto de origem desconhecida com um porém — as cegonhas desistiram de entregar bebês, e começaram a trabalhar com pacotes normais.

Cegonhas

Com essa mudança na carga,  os negócios prosperaram e a cornerstore.com (empresa de entregas das cegonhas) tornou-se um império muito lucrativo e bem sucedido. Entretanto, eis que ocorre um problema quando, graças a uma confusão envolvendo Tulip, uma moça que não pode ser entregue quando bebê e agora trabalha na empresa das cegonhas. Acidentalmente, após muito tempo, um novo bebê é fabricado e precisa ser entregue. Assim, Júnior (Andy Samberg), a cegonha do momento na cornerstore.com e Tulip (Katie Crown) saem numa aventura para entregar o bebê em segurança. A clássica fórmula de animação com uma galera do barulho em várias aventuras da pesada.

Cegonhas

Sem grandes surpresas ou reviravoltas em sua história, o grande trunfo de “Cegonhas” é ter uma lógica interna muito bem construída que faz com que todas as piadas (e são muitas piadas) sejam extremamente eficazes. Desde absolutamente ninguém conseguir machucar o bebê porque ele tão fofinho, até uma matilha de lobos que se juntam para virar vários objetos (pontes, barcos, submarinos, etc.) no melhor estilo “Super Gêmeos ativar”.

Cegonhas

Todas as pontas bem amarradas da história e bastante despretensão em passar uma grande mensagem fazem o humor de “Cegonhas” ser muito efetivo, seja através do texto ou da exploração de cenas totalmente inusitadas, como uma luta que deve ser feita em silêncio para não acordar um neném que dorme.

Para quem tem um desejo fabuloso de tirar uma moral de qualquer história, “Cegonhas” deixa mais ou menos entendido que é preciso valorizar pessoas e não bens materiais, mas essa é, já, uma interpretação um pouco forçada. O filme pode ser melhor aproveitado como uma excelente comédia com excelentes piadas.

 


Gostou do texto? Deixa um comentário, compartilha com alguém ou vem trocar uma ideia nos nossos grupos do Facebook e do Telegram. E assina nosso Padrim

The following two tabs change content below.
Professor, redator, editor-chefe deste site. Sou um cosplay de baixo orçamento de mim mesmo. Parceiro do Erik no PontoCast e host do BancaCast. Não sei qual é o meu animal interior, mas não é uma chinchila.