Resenha | Cam (2018) – Um suspense alucinante e angustiante

Foi lançado no dia 16 de novembro, na Netflix,o longa “Cam”, em parceria com a Blumhouse Productions (a mesma casa de “Corra! ”, “Halloween” e “Verdade ou Desafio”). Numa era em que as redes sociais afetam cada vez o comportamento de seus usuários, a nova empreitada da Netflix chegou para destrinchar mais um pouco os moldes que envolvem a Internet. O resultado é uma grata surpresa, angustiante e inteligente, que vale a pena conferir.

Título: Cam (“Cam”)

Diretor: Daniel Goldhaber

Ano: 2018

Pipocas: 8/10

Este texto contém spoilers

Abrindo espaço para explorar a pornografia na web, a trama é centrada na cam girl Alice (Madeline Brewer), que de tão apaixonada pelo que faz, não esperava ter sua vida online virada de cabeça para baixo ao descobrir que uma mulher idêntica a ela roubou o seu perfil. Agora, o que parecia estar sob controle é levado a medidas extremas quando ela é obrigada a rever os próprios conceitos.

Chega a ser irônico e engraçado que, desde os primeiros minutos, “Cam” prova que o tom que o compõe será provocante e fará o espectador passar momentos de agonia. Para isso, é só olhar para Alice e o quanto a personagem é tão bem sustentada por sua interprete que rapidamente o longa terá sua atenção fisgada. Depois perceber que a vida da moça é uma viagem que te prende e não solta.

Para que o final do longa faça sentido é necessária bastante atenção em Alice. Há quem diga que podemos ser qualquer pessoa  por trás de perfis na Internet, e para a protagonista isso parece ser algo inegável, uma vez que sua personalidade é carregada de coragem para atender a desafios, caprichos para seus seguidores e uma persistência para alcançar a melhor posição no ranking do site no qual o seu show e o de outras jovens é exibido. Todavia, longe das câmeras, vemos uma Alice tímida, simples, que rói as unhas e que não expõe a “pessoa online” para os mais próximos, enquanto espera ter a certeza que é a melhor.

Por mais que o grande pilar do filme esteja relacionado ao mistério da mulher idêntica a Alice e que estávamos tão conectados a isso que somos arrastados para a incógnita, no meio da agonia para compreender o sentido temos uma Alice focada em manter as aparências, ao mesmo tempo em que desesperadamente tenta pegar de volta a única coisa que a fazia ser diferente, a porta de escape para além da insegurança e medos.

cam

Indo para outros aspectos, “Cam” é um filme composto de uma bela fotografia e um ritmo certeiro que favorece os diferentes caminhos traçados em sua narrativa, à medida que nos mantém apreensivos juntamente com Alice. Os demais personagens são usados apenas o necessário para complementar e para que possamos conhecer mais sobre a protagonista.

Infelizmente, “Cam” não é um filme perfeito e acaba perdendo um pouco do seu brilho justamente no final, quando se jogou de cabeça para aplicar a resolução do mistério. De novo, as últimas sequências serviram para apontar o quanto o longa conduz a agonia sem nenhuma dificuldade (mantendo o tom que estabeleceu), mas não foi uma escolha tão atraente para atingir o ápice dos conflitos internos em que vimos Alice se afundar e recorrer para recuperar a sua conta, e ali mesmo revelar a divisão de personalidade que define a moça; além do contexto de como o site influenciou negativamente a privacidade, bem-estar e quietude que faziam parte do seu cotidiano.

Com poucos tropeços e um jeito intenso, “Cam” é um suspense digno de ser assistido, pois, da maneira mais ousada possível, se inclinou a fazer sua crítica social e falar sobre manter o controle. Como cantou Jessie J, não perca a cabeça por um pequeno erro, não esqueça quem você é.

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.