Resenha | Buscando… (2018) – uma conversa que importa

Lançado em 2014, o terror “Amizade Desfeita” (que ganhou uma sequência e em breve chegará aos cinemas nacionais) foi bastante elogiado por trazer uma fórmula diferente para o gênero. Na trama, uma espécie de entidade demoníaca em busca de vingança executou uma punição online contra os jovens envolvidos na morte de uma adolescente. A boa sacada ficou a cargo na narrativa, por conseguir se sustentar alternando entre uma chamada de vídeo no Skype, mensagens no Facebook e vídeo do Youtube, mesclando um clima tenso e boas atuações. À medida que aterrorizava o público, o longa estabeleceu seu estilo com muito talento.

Ao ser apresentado pela primeira vez, “Buscando…” (títulos nacionais arrasando como sempre), logo foi comparado com “Amizade Desfeita” – como uma versão melhorada, claro -, visto que possui uma premissa parecida: a narrativa virtual. Indo muito além de um simples upgrade do terror de 2014, “Buscando…” ganha pontos por ser desafiador e eficiente com o seu suspense investigativo.

 

Título: Buscando… (“Searching”)

Direção: Aneesh Chaganty

Ano: 2018

Pipocas: 7,5/10

A trama é centrada em David Kim (Jonh Cho, de “The Walking Dead“) que, após perceber que sua filha de 16 anos, Margot Kim (Michelle La), desapareceu, e que as investigações policiais não levaram a nada, decide investigar por contra própria vasculhando o notebook e redes sociais da garota.

Numa era em que a Internet e as suas ferramentas dominam cada vez mais nossas atividades, “Bucando…” se desenrola de uma maneira inteligente e fluída ao traçar toda a sua narrativa através de vídeos do Youtube, telejornais, mensagens do Messenger, chamadas de vídeos, webcams, etc. O que transforma todas as ferramentas que os personagens utilizam em significados da objetividade e subjetividade da câmera.

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Vale salientar que, ironicamente, a boa sacada em utilizar uma narrativa virtual se apresenta como um desafio ao telespectador, que passa tanto tempo encarando a tela de seu smartphone, notebook, PC, tablet ou Tv, sendo que tudo que será mostrado será utilizando tão bem desses recursos. Logo a fluidez e paciência serão testadas e, enquanto o suspense se desenrola, “Buscando…” conseguiu gerar o interesse necessário para fisgar a atenção do público.

É verdade que a premissa do longa é aparentemente simples, mas indo para a experiência, a missão se torna mais ambiciosa quando o espectador se vê envolvido na investigação juntamente com David e lida com as mesmas implicações: conhecendo Margot e entendendo como, quando e o porquê do seu desaparecimento.

Apesar do gênero de suspense, o longa não deixou de se mostrar relevante ao levantar sua reflexão sobre os nossos relacionamentos pessoais e as possibilidades que encontramos nas redes sociais. É absurdamente incrível como conhecemos os personagens, suas personalidades e nos importamos com eles apenas com o que David explora ao investigar sobre sua filha. O que prova que nem sempre utilizar a fórmula hollywoodiana para os filmes e correr o risco de contar uma história já vista é necessário, mas que arriscar num método diferente vale a pena no final.

Indo além do suspense, “Buscando…” deixa uma clara mensagem para os pais sobre saber onde os filhos navegam e o que divulgam na Internet. Apesar de tantos acertos, talvez o desfecho do longa seja o seu ponto negativo se atentar para a maneira mastigada e abrupta com que decidiu finalizar a sua execução tão eficiente e majestosa. Mas nada que desmereça o seu feito repleto de tensão e aflição, capaz de passear até mesmo por um pouco de humor.

“Buscando…” além de ser ótimo entretenimento e proveitoso suspense, vale a pena por mostrar que há potencial quando se escolhe sair do lugar seguro para não seguir uma fórmula e cair nas graças de um enredo comum e manjado. No mais, é um daqueles filmes que você não espera muito, mas acaba sendo surpreendido.

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.