Resenha | Blindspot – 2ª temporada: maior e melhor

No mundo das séries, o grande desafio de uma segunda temporada é superar o ano anterior com eficiência. Com “Blindspot”, isso com certeza foi superado. Vários fatores são responsáveis para a melhora de qualidade. Entre eles, a introdução de novos personagens relacionados ao passado de Jane Doe (Jaimie Alexander), a interligação com algumas pontas soltas da primeira temporada além de uma abordagem mais profunda sobre os mistérios que envolvem as enigmáticas tatuagens. Junte tudo isso e você terá um produto televisivo satisfatório.

As novidades de elenco desta temporada ficam por conta de Shepherd (Michelle Hurd) e Roman (Luke Mitchell), respectivamente a mãe adotiva e o irmão biológico de Jane. Esta introdução também vem acompanhada de outras como o surgimento da Sandstorm, uma organização com informações privilegiadas e propósitos terroristas do qual eles fazem parte como figuras de destaque. Por questões estratégicas, acaba sendo necessário que a protagonista trabalhe como agente tripla e isto rende um dos melhores momentos da primeira metade da temporada.

Além de ter que provar novamente a sua lealdade para a equipe do FBI comandada por Kurt Weller (Sullivan Stapleton), Jane precisa encontrar um ponto de equilíbrio entre a pessoa que está se tornando e quem foi antes da amnésia e das tatuagens, mesmo não tendo o quadro completo de todas as suas memórias. A cada novo resgate do passado, ela compreende a oportunidade de reconstruir a si mesma. Desse modo, “Blindspot” mostra um modo interessante de evoluir a personagem deixando o roteiro cada vez mais interessante e menos previsível.

Outro ponto interessante que se relaciona exatamente com isso é o momento que Roman passa por um experiência parecida ao ter boa parte de suas memórias apagadas. Em Droll Autumn, Unmutual Lord e “Devil Never Even Lived” temos uma amostra do quanto esta ideia foi acertada. Com isso, cria-se novas camadas na personalidade do irmão de Jane ao mesmo tempo que permite que ele reflita sobre suas ações como agente da Sandstorm. Este recurso funciona como uma espécie de auto-espelho para ele do mesmo modo como vem acontecendo com sua irmã desde a primeira temporada. Mesmo com resultados diferentes, percebemos como não foi errado repetir algo já utilizado no ano anterior.

Quem também brilha nesta segunda temporada é Shepherd. Além da vilã ter uma grande presença, há a questão dela ser parecer muito com sua filha antes das tatuagens. Esta comparação se torna possível mesmo que só conheçamos “a verdadeira” Jane através de flashbacks. Isso ocorre porque nestas breves cenas, Jane é sempre retratada como uma mulher fria e calculista. Por isso, é como se a introdução da mãe fosse uma forma de nos mostrar como era a filha antes da amnésia. Claro que este não é o único aspecto a ser destacado da personagem que só cresce com o perigo que representa, seja matando com frieza ou torturando pessoas com um toque único. Em outras palavras, uma personagem muito bem desenvolvida.

É uma pena não poder dizer o mesmo de outros personagens como o Dr. Robert Borden (Ukweli Roach), um psicologo a serviço do FBI. Apesar de toda consequência do plot twist em que ele está envolvido, o roteiro de “Blindspot” não o desenvolve de forma apropriada deste momento em diante. O que ocorre é um conflito interno por conta dele ter se comprometido em sua missão ao se apaixonar por Patterson (Ashley Johnson).

Tasha Zapata (Audrey Esparza) é outra personagem que fica um pouco apagada. Talvez o melhor momento da agente tenha sido no episódio “In Words, Drown I” com participação da atriz e ex-lutadora de MMA Ronda Rousey.

blindspot

No entanto, estas observações não afetam diretamente na avaliação do produto final da segunda temporada de “Blindspot. Além de encerrar com chave de ouro, o roteiro deixou mais mistérios para o futuro. E se há algo que podemos ter certeza é do potencial da série de ser cada vez maior e melhor.

 


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Marcus é redator no site Leituraverso e um dos hosts do podcast Leituracast.


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