Resenha | Assunto de Família (2018) – o laço que nos une

Se preparar para assistir a um filme desejado é uma tarefa proveitosa, ainda mais se a tal película valer a pena. Além da pipoca, a bebida e o lugar que escolheu, a expectativa é um sentimento a mais que levamos para garantir o que esperamos ver no filme. E quando não nos apoiamos nessa ideia e nos dirigimos para conhecer a um longa? Bem, essa é a opção que mantenho e foi apenas com um vislumbre do pôster e a pequena sinopse que fui ao cinema assistir a “Assunto de Família”. O resultado foi sair da sessão refletindo sobre o retrato sensível mostrado sobre o grupo social que tanto dependemos.

Título: Assunto de Família (“Manbiki kazoku”)

Direção: Hirokazu Koreeda

Ano: 2018

Pipocas: 9/10

 

A trama, passada na periferia em Tóquio, é centrada em Osamu (Lily Franky), que depois de um mais um dia de furtos, ao lado de Shota (Jyo Kairi), encontra na rua a pequena Yuri (Miyu Sasaki), e decide levá-la para casa. A então esposa de Osamu, Nobuyo (Sakura Andou) acha uma boa ideia acolher Yuri. Por mais que a vida de crime da família, composta também por Hatsue (Kirin Kiki) e Aki (Mayu Matsuoka) seja o jeito que arrumaram para sobreviver, segredos vem à tona e os levam a questionar a paz que viviam

Vencedor da Palma de Ouro de Cannes no ano passado, o longa agradou e muito por se apresentar com maestria e definir tão bem os tópicos característicos dos filmes dirigidos por Koreeda. Apesar de esse ter sido o primeiro longa que assisto do cineasta, foi o suficiente para imergir na experiência sincera e honesta que o diretor consegue fazer o espectador se sentir. Num primeiro momento, é notável pensar que “Assunto de Família” será um filme comum e seguimento previsível, mas antes que você se dê conta, estará admirado por toda ternura que a direção carrega enquanto o longa ainda nem engrenou.

É completamente incrível como Koreeda consegue alternar entre momentos de intrigas e tensão entre a família Shibata, e nos pegarmos rindo da maneira inocente de como o humor se encaixa naturalmente por ser parte da personalidade dos personagens. De repente, o filme toma um tom íntimo quando, de fato, começa a tratar cada membro da casa como pessoas realmente, e a partir disso abraçar o título que carrega.

Apesar das indiferenças, ambições, atitudes inapropriadas, e discordâncias, é assim que se faz a família Shibata, e é válido perceber o quanto cada um daquela casa carrega sua personalidade e sabe conviver com isso. Apesar de tudo, elem possuem um vínculo, um laço que os torna uma família. O equilíbrio perfeito para avaliar a questão de afeto, amor e relação harmoniosa que Hirokazu quis explorar, é olhar para Yuri, a nova membra da família.  A menina vinda de um lar totalmente diferente, de pessoas, educação e relacionamentos distintos, pôde então se sentir abraçada por pessoas estranhas, mas que souberam amá-la e trata-la como uma criança. E o mais importante: como alguém que tem Shibata no sobrenome.

assunto de família

Dito isso, são válidos os questionamento e a reflexão do que nos faz uma família. Não é o sangue, não nome, não é sobrenome e sim o que fazemos a respeito disso e como tratamos uns aos outros. Indo além de tantas emoções, o desfecho é o ápice de todo o contexto construído, apesar de ter uma aproximação previsível não desconstrói a leveza de Koreeda para destrinchar a humanidade e complexidade dos personagens.

Chegando para quem aprecia um filme drama, do tipo que te arrasta para perto, “Assunto de Família” soube fazer jus ao nome que carrega, e com certeza terminará a sessão deixando o público comovido, abraçado e estremecido por sua beleza magnifica.

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.