Resenha | As Viúvas (2018) – um proveitoso thriller dramático

Somando como o quarto longa-metragem dirigido por Steve McQueen – depois de “Fome” (2008), “Shame” (2011) e o vencedor do Oscar de Melhor Filme “12 Anos de Escravidão” (2013) – “As Viúvas” chamou a atenção por ser composto de um talentoso elenco, prometendo uma ambiciosa trama de ação. Infelizmente, o filme pode desapontar os que esperavam por mais cenas de ação, porém pode agradar quem aprecia um drama competente.

Título: “As Viúvas” (“Widows”)

Diretor: Steve McQueen

Ano: 2018

Pipocas: 7,5/10

Baseada na série oitentista de três temporadas “As Damas de Ouro”, “As Viúvas” pode ser um prato cheio de intrigas e reviravoltas empolgantes para quem não conhecia o show (como eu) ao mesmo tempo que lembra o sucesso da série protagonizada por mulheres, “Good Girls” –  excluindo a aura de humor, claro.

A essa altura, tendo a franquia que começou com “Onze Homens e um Segredo” e possui um remake feminino, é inevitável lembrar da fórmula ao assistir a película. No entanto, o reboot em formato cinematográfico consegue alcançar o seu estilo. A trama segue o assalto fracassado de Harry Rawlins (Liam Neeson), fazendo com que seus parceiros de crime e ele sejam mortos pela polícia, e o dinheiro roubado seja destruído no fogo. Além da dor do luto, a morte de Harry não deixou a viúva Veronica (Viola Davis, de “Um Limite Entre Nós”) isenta da dívida causada pelo dinheiro perdido. Sem outro meio para escapar, Veronica usa o caderno de anotações do falecido marido, o qual contém as coordenadas para um próximo roubo e decide convocar as viúvas dos mortos no trágico ocorrido para executar um último golpe.

Com o roteiro assinado pelo próprio Steve e por Gillian Flynn (do épico “Garota Exemplar”), “As Viúvas” ganha força com seu teor dramático, sem deixar esquecer o gancho principal: o grande roubo. É verdade que, ao atentar para os trechos do longa divulgados no trailer, não era difícil especular que encontraríamos um trabalho de ação explosivo. Mas contrariando as expectativas, McQueen optou por uma narrativa lenta e de longa duração para explorar as protagonistas.

Apesar da condução lenta, não é um filme enfadonho que não gera interesse. Mas essa lentidão é um meio necessário para conhecermos as viúvas. Dividindo o tempo em tela entre Veronica, Linda (Michelle Rodriguez), Alice (Elizabeth Debicki) e Belle (Cynthia Erivo), a abordagem acaba sendo relevante para umas e simples para outras, mas conecta de maneira satisfatória as quatro, acertando o desenvolvimento entre as interações e relações. Sem falar como o diretor soube utilizar de flashbacks para contar pontos importantes da história, sem apelar para fórmulas para acertar.

Outro ponto característico que funcionou muito bem, foi a naturalidade com que as protagonistas são colocadas para fazer algo que nunca se imaginaram fazendo. Aos poucos contemplamos as dificuldades para fazer com que tudo dê certo, enquanto um afiado contexto sobre o empoderamento feminino se desenrola. Apesar de tantos acertos, alguns arcos e personagens não deixam de ser altamente genéricos e nem mesmo a execução se torna um diferencial, visto que o fim não leva a situação para um desfecho além do esperado.

as viúvas

No geral, “As Viúvas” é um filme que cumpre o seu papel como um filme de drama, com pitadas de ação e violência, que sabe prender a atenção por conseguir fazer com o que o público se conecte com as protagonistas e torça por elas. O roteiro pode ser manjado em muitos aspectos, mas o longa termina sendo um exemplo de quando o clichê é tão bem executado que os seus traços não conseguem abalar a maestria.

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.