Resenha | As Panteras (2019): seguindo o legado com empoderamento

Uma vez pantera, para sempre pantera. Mesmo dezesseis anos desde a última vez que vimos Natalie (Cameron Diaz), Dylan (Drew Barrymore) e Alex (Lucy Liu) encarnando as habilidosas espiãs em “As Panteras: Detonando” em 2003, elas continuam sendo eternas na cultura pop. Escrito e dirigido por Elizabeth Banks, finalmente podemos conferir a nova versão da saga de mulheres descendo porrada em malandros de terno. O tempo não envelheceu suas virtudes, e aqui não se trata de um remake, mas a continuidade de uma trama querida pelo público. O que há de novo, panteras?

Título: As Panteras (“Charlie’s Angels”)
Direção: Elizabeth Banks
Ano: 2019
Pipocas: 7,0/10

Depois de ser contrariada na corporação que trabalha, Elena (Naomi Scott) decide pedir ajuda a agência Townsend para impedir que um grande projeto tecnológico te torne arma nas mãos de compradores criminosos. Para esse fim, ela encontra o apoio que desejava através de Jane (Ella Ballinska) e Sabina (Kristen Stewart), para juntas combaterem a ameaça.

Foi um passo ousado de Elizabeth Banks em trazer sua visão para a franquia num momento que revisitar histórias soa cada vez mais datado. Só neste ano de 2019 tivemos “Rambo V”, “Exterminador do Futuro: Destino Sombrio”, “MIB: Homens de Preto Internacional” e “Hellboy” como exemplos de franquias sendo relembradas, e “As Panteras” é mais uma delas. Assim como o novo capítulo do ciborgue com inteligência artificial, o foco aqui envolve o protagonismo feminino. No caso de “Charlie’s Angels”, há o adendo de ser a primeira vez na história desde as séries e filmes que o comando é feito por uma mulher, o que lança uma curiosidade sobre o que seria feito dado o histórico de perspectiva masculina que recebeu, e na última investida, nas lentes de McG (diretor do primeiro e segundo filme).

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Cameron Diaz, Lucy Liu e Drew Barrymore em cena de “As Panteras”, 2000.

As panteras no universo de McG eram tão veteranas no papel que desempenhavam que apenas se envolviam em missões e enrascadas, sem perder a bala na agulha. Agora estamos diante de uma proposta de introdução, uma história de origem. Com caráter bem mais dramático, com menos breguices e o estilo desengonçado de sensualidade para derrubar homens machistas e desesperados, que deram identidade para as aventuras de Alex, Natalie e Dylan; Sabina, Elena e Jane estão construindo um relacionamento e conexão pelo que têm em comum. Foi empolgante de assistir o florescer de uma amizade surgir sem apelar para o estereótipo de rivalidade feminina ser quebrado para se terem união, mas foi necessário dividir o tempo das panteras experientes na espionagem com a novata que está se adaptando ao terreno que está pisando.

A mensagem do filme é simples: empoderamento feminino. Mulheres independentes, fortes, super habilidosas e sem inserir didatismo percebemos a mutualidade que há entre elas. Garotas que se apoiam sem precisar de preliminares, garotas que se auxiliam sem desmerecer uma a outra. Resumindo, a nova versão das espiãs passa essa energia bacana de três jovens adultas se apoiando para cumprir um único objetivo, assim como as ladies antecessoras.

Ballinska, Stewart e Scoot em cena do filme.

Sem fazer uma ser mais estrela que a outra, a produção dividiu a narrativa e o espaço satisfatoriamente entre as panteras, sem esquecer de Elizabeth Banks que também atuou liderando a equipe. Com personalidades distintas, cada uma tem seus demônios para encarar. Quem mais se diverte com seu papel é Kristen Stewart interpretando a aleatória e persistente Sabina. Embora isso expresse nitidamente o encaixe desta persona em favor humorístico até de maneira forçada, o roteiro tenta outros meios avulsos para a comédia. Contudo, esse elemento era bem mais genuíno e característico no filme com Drew Barrymore, propondo o divertimento com o absurdo e exagero, enquanto nesta versão, o humor se mostra como em qualquer outro filme que queira misturar piadas com ação jogados da narrativa. Já Ballinska é a ponte para a carga dramática se fazer presente, com seu misterioso passado, e a trindade animalesca fecha com Naomi, com o desejo voraz de fazer o certo e entrar para equipe de mulheres contra o crime.

Tirando esses elementos, a direção de Banks se desdobra com uma história bastante trivial de espionagem mas que consegue se virar e manter o enredo interessante. No desenrolar de cenas de ação com menos closes nas expressões das atrizes, no seus respectivos golpes específicos e poses pós lutas, a pancadaria aqui se realiza em movimentos corriqueiros da câmera, o que faz pensar em como seria se durassem mais alguns segundos e tivessem mais intensidade, mas ainda assim, foi possível brincar com os cenários e fotografia, trazendo resultados bem diferenciados e perigosos para as angels. Ou seja, ao contrário do domínio badass, cafona e debochado das antigas espiãs, aqui tivemos um pouco de consequência sendo pintada.

3 Espiãs Demais

Um bom exemplo em que as três contracenaram em um momento inato de espionagem foi numa cena que adentram um prédio corporativo e lá driblam os homens, os ridicularizando enquanto saem no melhor estilo pantera. Só que com o diferencial do risco que estão correndo, colocando à prova a humanidade de uma das integrantes do grupo.

Com um ótimo timing do elenco e uma construção divertida de conferir, o legado das espiãs empoderadas continua emanando amor e emoção. E se tudo der certo,  assim como o filme sugere, não irá demorar para essa equipe ser convocada para mais uma missão para salvar o mundo, agora com uma proposta mais estruturada sem o típico escopo de origem e apresentação para o universo em que se passa, afinal, anjos não dormem até que tudo esteja seguro.


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.