Resenha | Homem-Aranha: No Aranhaverso (2019) – o amigão da vizinhança

Não há como negar que existe um padrão nas histórias de filmes em Hollywood. Apelando para as fórmulas, seja em filmes de terror (como quando um personagem encontra uma informação para a dificuldade que está passando lendo um livro numa biblioteca) ou nos títulos comuns de super-heróis e as descobertas de seus poderes. De uma forma e outra, acabamos nos deparando com as mesmices chatas ainda que o projeto tenha nomes diferentes dos envolvidos e a trama prometa não ser a mesma. No caso da nova aventura do Homem-Aranha, a animação poderia ter esbarrado num lugar comum, mas inspirado numa tremenda criatividade, a animação do Aranhaverso é uma empreitada inesquecível, até mesmo uma das melhores sobre o aracnídeo.

 

Título: Homem-Aranha: No Aranhaverso (Spider-man: Into the Spider-verse)

Direção: Bob Persichetti, Peter Ramsey, Rodney Rothman

Ano: 2018

Pipocas: 9,5/10

 

Talvez a impressão de que o enredo está sendo revisitado não seja incomum a medida que acompanhamos a rotina de Miles Morales (Shameik Moore, da série “The Get Down”), um jovem negro com ascedência hispânica residente do Brooklyn, transitando por passagens teens, até que ele se depara com a ideia de que se tornou o Homem-Aranha e tem que assumir o papel do falecido Peter Parker. O que parecia ser uma história já vista, toma nova forma depois que Miles descobre que está envolvido numa grande trama de realidade paralela que trouxe outros aracnídeos para o seu mundo.

Depois de três versões cinematográficas adaptadas sobre o Homem-Aranha (com o terceiro interpretado por Tom Holland sendo muito bem abraçado pelo público e fãs), parecia mesmo que não mais precisávamos ter outra vez o Peter Parker anunciado em um novo projeto. A boa notícia é que “Homem-Aranha: No Aranhaverso” foi feito com um carinho imenso, despontando dois pontos: trazer um arco marcante das HQs e introduzir Miles Morales, abrindo possibilidades para sequências. O resultado dessa mistura, e um dos aspectos positivos do longa, foi poder se despir da típica abordagem de filme solo de herói enquanto desenvolvia o protagonismo de Miles de um jeito contagiante e importante.

aranhaverso

Uma das características em que o filme se propõe e fez funcionar muito bem é o estilo bem-humorado e faz questão de destacar desde o primeiro momento (sem exagero) ao revelar muitas homenagens a trilogia de Sam Raimi e transpor vários arcos dos quadrinhos inserindo como pauta narrativa do filme. Mesmo assim, propositalmente, usa de tudo que já conhecemos sobre a história de Peter e para passar um tom de familiaridade e leveza.

E por falar em quadrinhos, a coisa fica ainda melhor quando se percebe o uso da metalinguagem como o filtro, remetendo às impressões de baixa qualidade das antigas revistas em papel offset, os balões de diálogos surgindo em tela, com isso provando o quanto o longa almeja ser uma HQ aberta em meio a uma animação.

Conferir a origem de tantos elogios que a produção vem recebendo é uma experiência gratificante em muitos sentidos. Não tem como não ficar imerso no visual de beleza impecável que mescla tão bem traços de 3D e muitas cores vivas de encher os olhos – podendo apontar tais cores até mesmo como fundo do perfil dos personagens nos quadrinhos.

Além das cores, a trilha sonora é outro aspecto que foi utilizado como um deleite absurdo ao casar com as passagens do filme. Somando esses dois fatores, vale ressaltar o quanto as cenas de ação são mais um feito digno de elevar a emoção e prender a atenção pelo jeito que é explorada. É incrível como o trio de direção do filme não oscilou para trazer sequências incríveis de alto potencial.

E se há uma coisa que o longa não desperdiça são os personagens – com algumas surpresas na manga. Além de serem todos aproveitados de um jeito convincente, também desempenham papéis relevantes, compondo momentos próprios e claro, servindo para o amadurecimento de Miles Morales, sem falar de como a interação funciona espontaneamente. Talvez, muitos dos acertos não funcionariam numa versão live action, mas graças a liberdade que uma animação pode proporcionar e numa duração pontual e vantajosa, a aventura conseguiu aproveitar todos os meios que poderia investir e se jogou.

Repleto de homenagens e emoções, “Homem-Aranha: No Aranhaverso” é uma animação surpreendente, e por mais que haja tanto sobre o herói para ser explorado, é impossível não reconhecer que apenas numa cajadada o longa conseguiu ir muito longe e fazer além do que esperávamos ser explorado no cinema. Com um entretenimento de qualidade, essa é uma opção que não irá decepcionar.

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.