Resenha | Aquaman (2018) – a sessão pipoca que os sete mares precisavam

Faz um bom tempo que lidar com as estreias que envolvem personagens do universo DC nos cinemas deixou de gerar animação, já que o receio de termos outro filme remendado e extremamente mal concebido sempre acabava passando por perto – um forte abraço para todos os esquadrões que conhecemos. Depois de um excelente passo para uma correção de rumo com “Mulher Maravilha” em 2017, as expectativas de uma volta por cima com os filmes solos dos heróis vieram como um necessário aquecedor de corações. Finalmente, o “Aquaman” está entre nós e junto dele um possível e otimista voto de confiança para o que vem no futuro.

Título: Aquaman (“Aquaman”)

Diretor: James Wan

Ano: 2018

Pipocas: 7/10

A grande verdade sobre esse filme é que ele não se leva tão a sério quanto Zack Snyder costumava levar as primeiras obras do DCEU. E isso foi uma escolha muito boa para o filme. Aqui nós acompanhamos a história de origem de Arthur Curry (interpretado pela segunda vez de um jeito bem badass por Jason Momoa), mas que já acontece após os eventos de “Liga da Justiça”. Somos apresentados à sua mãe, a Rainha Atlanna, que ganhou vida através de Nicole Kidman (“Big Little Lies”). Devo dizer que o elenco de apoio do filme é muito bom, o que ajudou a compensar a falta de atuação de algumas pessoas, mas falaremos disso mais tarde. Depois de conhecermos a história de amor da rainha com Tom Curry (Temuera Morrison), o pai de Arthur, e de como esse envolvimento entre eles dois era proibido, conseguimos ter uma breve, mas importante, visualização de determinados pontos que seriam abordados no decorrer do filme e que tornaria a história bem resolvida.

O plot do filme se baseia em encontrar o tridente do rei Atlan (Graham McTavish), para então poder fazer de Arthur o verdadeiro rei de Atlantis, e consecutivamente, mestre dos mares, desbancado o seu meio-irmão, o rei Orm, aqui interpretado por Patrick Wilson (“Invocação do Mal”). É um esquema bem simples, sem muitos acréscimos, o que ajudou a manter uma linha que foi muito bem explorada por James Wan (“Invocação do Mal”; “Velozes e Furiosos 7“). Acho que isso pode ser dito com bastante propriedade, já que o que realmente faz esse filme funcionar é a maneira como Wan idealizou tudo isso.

“Aquaman” enche a tela em praticamente toda as cenas, especialmente nas de ação e as submersas. A forma como o visual de cada um dos reinos marinhos foi definida traz não só um contraste bacana para tudo o que é mostrado no filme, mas também um sentimento de realmente estarmos diante de um vasto ambiente, cheio de diversidade e questões específicas. Muito pouco se repete e é muito bacana notar isso. O filme consegue introduzir diversos ambientes em apenas duas horas e vinte minutos, e faz isso muito bem. Os efeitos especiais ajudam e muito na forma como nos relacionamos com tudo aquilo, e mesmo quando eles não são tão bons, ainda é possível aproveitar tudo sem muitos problemas.

Um dos pontos altos do filme é o sentimento de aventura que os personagens estão vivenciando. É uma jornada cheia de obstáculos e que se mantém sempre investida em manter o nível crescente e acelerado em alguns momentos, não deixando o filme cansativo, por mais que pudesse ter uns dez minutos a menos – uma ou outra pessoa acabava olhando para o relógio durante e metade do filme, mas ao entrar no terceiro ato, as coisas tomam um rumo acelerado outra vez.

Agora, o grande diferencial aqui está nas cenas de ação. James Wan entregou algumas das melhores sequências de ação em um filme de herói já feito! A utilização de câmeras giratórias que englobam todo o espaço ao redor dos personagens e de toda a movimentação que está acontecendo, entrega uma visão diferente de toda a ação, Em alguns momentos chega até a ser intrigante o modo como essas cenas foram filmadas, o que traz um tempero a mais para tudo aquilo. O uso desse tipo de modo de câmera pode até parecer excessivo, mas ainda assim gera sequências muito boas. Uma em particular, eu preciso fazer menção aqui, consegue trazer muito bem a identidade do diretor, que é conhecido principalmente pelo seu trabalho em filmes de terror, como a franquia Invocação do Mal. Na cena no reino do foço, a interação entre as criaturas que vivem lá, a forma como elas atacam, chega a gerar umas três cenas com jumpscare que, a princípio, não esperaríamos ver em “Aquaman”.

Mas depois de citar tantos pontos positivos de “Aquaman”, existe um ponto ruim que, pela qualidade de todas as outras partes,  acaba ficando um pouco de lado, mas ainda assim é meio delicado quando olhamos para o todo. Nós acompanhamos a jornada de Arthur ao lado da princesa Mera ao longo de boa parte do filme, e com isso notamos que a química entre os dois é quase tão baixa quanto as avaliações positivas que os primeiros filmes do DCEU receberam. E isso acaba gerando um incomodo no decorrer do filme, principalmente se for uma cena cômica.

aquaman

Não diria que o problema estaria somente entre os dois atores, até porque o roteiro do filme não ajuda tanto. Boa parte dos diálogos é muito expositiva, o que acaba soando muito fraco dependendo de quem esteja falando, mas os momentos cômicos escritos para os dois quase nunca funcionam da forma como deveriam. E quando funcionam, parecem involuntários. Eles não são tão bons atores quanto o elenco de apoio, e isso fica evidente nesses diálogos expositivos. Quando Patrick Wilson ou Willem Dafoe entram em um debate no filme, por mais caricato que o diálogo possa soar, ainda conseguimos ver um certo nível de camadas e como a interpretação deles funciona de modo que pareça orgânico, o que normalmente não acontece quando os personagens de Momoa e Amber estão em cena.

Mas para um filme que ainda trazia um certo receio, pelo histórico dos filmes anteriores da franquia, “Aquaman” veio como uma grata e satisfatória aventura por todo esse universo tão bem apresentado por James Wan. Com o melhor sentido que a expressão “um filme sessão da tarde” possa ter, Aquaman consegue divertir, entreter e ainda assim contar uma história que consiga envolver e cativar o telespectador até o fim, entregando uma conclusão muito mais que satisfatória.

 


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Jardas Costa

PontoCaster, fã da DC e da Marvel (não DC vs Marvel), apreciador de um bom kalzone e sempre esperançoso por toda obra que está por vir, porque todo bom filme é uma boa forma de se compartilhar a vida.