Resenha | A Morte Te Dá Parabéns 2 (2019): menos terror para uma comédia sci-fi pastelão

Mais desgosto do que ver um filme com pegada sobrenatural repetida – aquela chatice da família que se muda e blá blá blá – é ver o prestigiado slasher se revirar para chamar atenção e não alcançar o brilho esperado. A continuação direta de “Halloween – A Noite do Terror” estreou ano passado agradando a poucos, mas serviu para trazer um personagem brutal consagrado para as telonas novamente. Enquanto conversas para revistar o universo de “Sexta-Feira 13” e “Pânico” rolam, repetir o que foi o terror na década de 80 com figuras assassinas que não assustam é um hobby que sempre iremos manter. Nesse meio, seria a mitologia de “A Morte Te Dá Parabéns” o frescor para tantas repetições? Bem, após o baixo orçamento e um excelente rendimento em bilheteria, aqui estamos nós, conferindo mais uma temida sequência de Hollywood.

 

a morte te dá parabéns 2

Título: A Morte Te Dá Parabéns 2 (“Happy Death Day 2U”)

Ano: 2019

Direção: Christopher Landon

Pipocas: 5,0/10

 

Não muito tempo depois de que finalmente se libertou do loop que a fazia reviver o dia de sua morte, Tree (Jessica Rothe) se vê arrastada mais uma vez para o seu maior pesadelo depois que um experimento científico não ocorreu como o esperado, trazendo assim consequências desastrosas. Reacenda as velinhas pois o Babyface ainda quer festejar.

Com o sucesso alcançado em 2017, apenas um pequeno pontapé era necessário para forçar começar a produção do longa e Christopher Landon conseguiu isso. Agora assinando o roteiro (ao lado de Scott Lobdel) e também dirigindo, a famigerada película por um pouco se mostrava promissora, até investir nos dotes da breguice. Verdade seja dita, perante o início objetivo e tentador, foi aos menos contagiante imaginar que “A Morte Te Dá Parabéns 2” tinha muito mais a entregar do que o ceticismo fazia pensar, mas como a alegria dura pouco…

a morte te dá parabéns 2

 

Estava um misto quente delicioso de comédia, sci-fi e terror logo no primeiro round, nos moldes de quando um sucessor tende a ser melhor que o original. Inserindo com eficiência o suspense preciso assim como a dose certa de curiosidade para a explicação (empurrada com a barriga) do looping, a medida em que se dava mais importância para outros personagens — coisa que não demora muito para cair no raso e em estereótipos. Juntando esses três elementos, a coisa realmente estava indo bem, induzindo a diversão enquanto abria o leque de possibilidades do quanto trazer a ciência para explorar o universo de Tree resultaria num exercício com benefícios.

O problema foi abandonar essa vibe inicial ainda quando estava começando a engatar, para então abraçar a obviedade e a babaquice. Situando nos mesmos passos em que o filme antecessor desafiou, seguimos uma timeline formulada para encaixar mais descontração para a narrativa; embora tenha funcionado outrora, agora soou gratuito e exagerado brincar com a morte enquanto os mocinhos não lidavam com o que deveriam. Essa foi a entrada para a quebra e oscilações de ritmo.

a morte te dá parabéns 2

Em contrapartida, toda essa pressa para realizar o longa se mostrou duvidosa, e bem mais desagradável do que as decisões de roteiro, foi ter Tree e o talento de Rothe sendo desperdiçados em prol de uma mistura de coisas ruins. A personagem simplesmente é colocada para repetir situações em que sua intérprete destacou carisma em 2017, a diferença é que não obteve o mesmo feito positivo e até a atuação deixou claro o quão prejudicada estava.

Sendo o drama justificado por um momento ao qual a protagonista precisava passar, torna-se uma ponte aceitável e que mais uma vez Tree pôde aprender, porém foi desanimador perceber que todo o desenvolvimento para os personagens se resumiu em um trajeto que já assistimos em várias outras obras, e encontrou um destino esquecível. É então quando Landon se joga de vez no estilo brega de ser e evoca a tradicional resolução de quando as pessoas do bem precisam salvar o dia, nem que para isso a comédia pastelão surja atrevida e cheia de vergonha alheia.

a morte te dá parabéns 2
o quê, parte 3?

O querido terror slasher marcou presença na linha do assassino, que se repete, mas, mesmo com novas informações para a mitologia, a trama nem fez o esforço de parecer diferente, brincar com a lógica e subverter papéis. Apenas entrega o que já estava nítido dentro da diversão, e vida que segue, uma vez que o intuito é ter humor.

Nisso se encontra a maior essência da coisa, tirar o gênero do comodismo falho que tem se aventurado, para então colocar outros fatores que funcionem junto a proposta, sem esquecer de que se trata de um filme de terror. O resultado é um ensaio que não tem vergonha de flertar com o ridículo para entreter, em vez de um texto mais contido e humorado.

“A Morte Te Dá Parabéns 2” veio sobre uma nuvem de que seria maior que o primeiro e disposto a explanar o loop, no entanto, chegou vestido de pouco terror e munido de mais comédia com altos traços sci-fi pastelão deixando claro que seu slasher não se leva a sério. Se depender da cena pós-créditos, mais mesmice cafona vem por aí, para fechar a trilogia do looping temporal.


Gostou do texto? Gosta de escrever também? Seja um colaborador do PontoJão! Entre em contato conosco pelo Twitter, pelo grupo do Telegram ou mande um e-mail para contato@pontojao.com.br

The following two tabs change content below.

Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.