Resenha | A Freira (2018) – tenebroso e desnecessário

Sendo o quinto filme da franquia de terror “Invocação do Mal”, “A Freira” veio com a promessa de ser o capítulo mais tenebroso da saga. Nessa desculpa onda de “expandir” um universo de filmes promissores, o longa não vingou como era esperado, e em torno dos seus 90 minutos de duração, provou ser desnecessário.

 

Título: A Freira (“The Nun”)

Diretor: Corin Hardy

Ano: 2018

Pipocas: 4,5/10

Quem tem acompanhado os filmes da franquia (ou leu o texto que os relembra), deve ter ido assistir “A Freira” sabendo com o que ia se deparar, uma vez que a entidade Valak foi uma das principais figuras que movimentou “Invocação do Mal 2”, sendo protagonista de cenas tensas repletas de terror e executadas com um bom uso da câmera ao lado de Lorraine Warren (Vera Farmiga). Além disso, a breve ponta de Valak em “Annabelle 2 – A Criação do Mal” serviu para firmar a participação da freira como parte do universo.

Olhando para as películas, é possível perceber que cada capítulo tem a sua identidade (apesar da fórmula nos casos dos Warren). Com “A Freira” não seria diferente, pois, embora não se assemelhe aos coleguinhas, não deixa de ser genérico como os filmes de terror da atualidade.

Assim como em “Annabelle 2”, voltamos alguns anos no tempo, mas dessa vez para onde tudo começou. Este não é mais um dos casos em que um prelúdio numa franquia é produzido a fim de corrigir a sequência que deu certo. Desde o começo o público sabia que iria acompanhar a história de origem de Valak, o calo no pé de Lorraine. Depois que uma freira cometeu suicídio num convento na Romênia, o Vaticano envia uma noviça que busca se preparar para se tornar freira, e um padre com um passado conturbado para investigar o que levou ao terrível acontecimento. O que os dois desconhecidos não esperavam eram se deparar com verdades aterradoras.

Quem não se deslocou para o cinema esperando assistir a um filme de terror que inspirasse o medo, que atire a primeira pedra. Não foi preciso muita demonstração para saber o quanto “A Freira” seria “sombrio”, mas descobrimos, em seguida, que também o humor se faria presente para definir o estilo do longa. Dito isso, podemos afirmar que a combinação dos dois gêneros são os aspectos que funcionam no filme, sem parecerem deslocados.

Jonas Bloquet como Frenchie

Os personagens não são tão interessantes, mas ao menos convencem. A irmã Irene (Taissa Farmiga) é a típica protagonista que se vê posta à prova enquanto tem os limites testados ao se deparar com experiências desconhecidas; o padre Burke (Demian Bichir) funciona como o oposto de Irene, já que ele vivenciou mais coisas e vem acompanhado de um trauma, além de servir para o alívio cômico ao lado de Frenchie (Jonas Bloquet), um dos moradores da região que se torna guia para a dupla de investigadores.

Enquanto se esforça para introduzir os personagens para o mistério que os espera, o desenrolar da trama é maçante e não consegue prender de maneira habilidosa a atenção do espectador. E o que temos nesse caminho é a interação dos personagens, sendo o humor o escape para não se perder no tédio. Quando o longa se dedica a evocar o terror, a coisa é previsível (onde que mocinhos andando lentamente, sendo atraídos por suas fraquezas ou por objetos que ligam sozinhos é novidade para filmes de terror?!), esbanjando cenas corriqueiras (já entregues por imagens e trailers), banhadas no jumpscare e numa fotografia tão escura, mas tão escura e cheia de fumaça, que é difícil conseguir enxergar – só assim para o filme ser tenebroso mesmo.

a freira
Demian Bichir como Burke

O que torna as cenas escuras aproveitáveis é a incrível ambientação – externa e interna – em que o filme se passa; ela consegue transmitir um pouco de tensão, já que tanta fumaça, poucas luzes e uma trilha sonora estridente não alcançam tanto êxito para essa questão. Agora, o ponto mais marcante é que Valak foi mais assustadora e interessante em “Invocação do Mal 2” do que em sua aventura solo. Lamentável, uma vez que a missão do filme era que a entidade demoníaca fosse mais explorada.

No geral, depois de ficarmos a par do mistério que envolvia Valak e o suicídio, parecia que “A Freira” poderia ser pontuado como um filme “ok”, mas o desespero para anunciar que o universo de Invocação do Mal é porreta era tão grande que Corin Hardy decidiu forçar um final mal feito apenas para conectar os filmes, sendo que quase qualquer pessoa que curte terror sabe que a franquia é compartilhada. Sendo assim, o que era para findar com chave de ouro, acabou encerrando de um jeito meia boca , mostrando o quanto “A Freira” é desnecessário e facilmente será esquecido.

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.