Resenha: ÷ (Divide) – Ed Sheeran (2017) é vários em um só

Desde 2014, após o lançamento de seu último álbum, e de um ano quase que sabático, o ruivo mais querido dessa geração voltou com tudo. Lançado no último dia 3, ÷ (Divide) é o mais novo – e audacioso – álbum do cantor e compositor britânico Ed Sheeran.

divide 1

Ouça no Spotify

Depois de quase um ano longe dos holofotes, Ed foi juntando material e escrevendo suas experiências, para agora nos presentear com 12 faixas (16 na versão Deluxe do álbum) e mostrar que o tempo de espera foi de grande valia. Produzido pelo próprio Ed Sheeran juntamente com outros produtores entre eles Benny Blanco (Justin Bieber, The Weeknd e Maroon 5), Divide nos apresenta um Ed mais experimental em relação a novas sonoridades – mas, claro, sem deixar de lado o bom e velho esquema “um banquinho e um violão”, e também fortalecido pelo lado letrista de Ed, que não deixa nada a desejar.

divide 2

Álbum devidamente apresentado, vamos ao faixa a faixa.

ERASER
Um começo um tanto quanto inesperado para o álbum. A intro de violão dá o clima característico de Ed Sheeran, até o momento em que ele aparece em sua versão MC Sheeran lançando um rap. Uma canção, que soa como se Ed se confessasse, retrata a superação, o enfrentamento de medos e desafios, conta com uma boa mixagem e é um bom aperitivo do que virá pela frente.

CASTLE ON THE HILL
Uma das canções a serem lançadas antes da divulgação completa do álbum, Castle on the Hill é uma canção rápida, explosiva e digna de show de luzes, papéis picados e fãs enlouquecidos pulando alucinados no show no clímax do refrão. É quase uma Charlie Brown do Coldplay.

DIVE
Saindo de uma pegada mais dançante e explosiva, temos a calmaria de Dive. Uma balada romântica de base simples, mas que conta com uma interpretação vocal excepcional de Ed. Em cada frase o sentimento imposto e o tom de voz crescente até chegar no refrão com os dois pés no peito cantando a plenos pulmões “Don’t call me baby”, faz com que o ouvinte não apenas ouça a música, mas que sinta cada frase. Pra completar, um ótimo solo de guitarra.

SHAPE OF YOU
Lançada juntamente com Castle on the Hill como os dois primeiros singles do álbum, Shape of You é aquela música que tem um clima agradável, porém muito repetitiva e sem nada de espetacular. Como single até que funcionou, mas dentro do álbum não achou seu lugar e não encaixou.

PERFECT
Brigou com o mozão e quer amolecer seu coração? Ed Sheeran te ajuda com essa bela música que de tão espetacular, é perfeita até no nome. Outra balada romântica, mas totalmente diferente de Dive. Enquanto na anterior ele cantava com uma certa agressividade, nessa vemos um tom de voz bem mais suave, exaltando de fato o amor. Um belo instrumental e com um mini solo de violão que encaixou como uma luva no contexto da música, sem dúvida nenhuma fazem de Perfect uma música que vai embalar muitos romances por ai.

GALWAY GIRL
Mais uma vez ele ataca com seu lado de MC Sheeran. Uma mescla de rap com um fundo de música tradicional irlandesa muito bem mixada tem uma boa sonoridade e um clima pra cima que faz você se recompor depois de uma música bem sentimental como Perfect.

HAPPIER
Voz e violão, junto à um discreto piano, é uma combinação impossível dar errado, né? Ainda mais quando quem faz isso é Ed Sheeran. Happier nos traz um Ed cheio de variações vocais que vai do mais grave ao agudo com a mesma facilidade com que Neymar dá dribles desconcertantes em seus adversários. Backing vocals completam toda a atmosfera de uma bela canção.

NEW MAN
E não é que ele gostou de brincar de ser rapper nesse disco? Mais uma vez uma canção de clima agradável, com boa batida e com direito a uns scratches do DJ no final.

HEARTS DON’T BREAK AROUND HERE
Uma base simples de violão repetitiva que já traz aquele clima leve e que embala mais uma vez a exaltação do amor. Uma bela canção tanto no quesito instrumental e letra e que conta com bons backing vocals que dão um toque todo especial ao cenário criado.

WHAT DO I KNOW?
Uma música chiclete, agradável aos ouvidos e com backing vocals cheios de “mmmmm” que lembra a música da banda de folk-rock canadense Crash Test Dummies – só que em uma versão mais agitada.

HOW WOULD YOU FEEL (PAEAN)
Digamos que é a segunda Perfect do álbum. Violão, piano e uma letra sobre um casal apaixonado que só o ruivão mais amado dessa geração seria capaz de fazer e impor toda sensibilidade a cada acorde e frase cantada.

SUPERMARKET FLOWERS
Um tributo à sua vó recém-falecida, Supermarket Flowers traz uma canção com uma carga emocional muito forte e com uma letra impecável. Nela, sua vó é retratada metaforicamente como um anjo; sem dúvida é uma bela homenagem e também uma canção pra fechar o álbum em grande estilo, apesar de ser uma música triste.

BARCELONA
Divide, em sua versão Deluxe, não termina em Supermarket Flowers, e nos agracia com mais quatro canções. A primeira delas, Barcelona, traz um clima de ser uma música digna de desenhos da Disney e também um Ed Sheeran se arriscando no espanhol em frases como “Mí niña, te amo mi cariño”. Na letra, ele fala sobre se soltar ao som da música como se estivesse em Barcelona. Tô indo nessa!

BIBIA BE YE YE
Com um suingue digno de músicas africanas e seu clima todo descontraído, mostra que Ed Sheeran de fato quis se arriscar em diversos mundos sonoros nesse novo disco. Pra completar, só faltou a Shakira soltando um Waka Waka.

NANCY MULLIGAN
Assim como Galway Girl, tem uma base muito forte da música tradicional irlandesa e tem na letra a história de um casal que fugiu pra ficar junto não se importando com nada externo – incluindo a não aceitação do pai da noiva.

SAVE MYSELF
Piano, voz e uma pitada de uma orquestra e uma letra triste – mas ainda assim, revigorante -, marcam o final de Divide. Save Myself mostra as fraquezas da vida e também que há momentos na vida em que nos sentimos sozinhos.

Divide mostra um Ed Sheeran que faz jus ao nome do álbum. O cantor saiu da sua zona de segurança do voz e violão e se dividiu em vários Ed’s dentro das mais diversas ondas sonoras que ele caminha no decorrer das 12 (ou 16) faixas desse disco. Boas músicas com melodias marcantes – das mais calmas até as mais agitadas – letras magníficas e um Ed Sheeran mais maduro vocalmente falando, fazem de Divide um álbum mais completo em relação aos outros dois lançados anteriormente.

Depois de somar muito no primeiro álbum, multiplicar no segundo e se dividir em várias facetas no terceiro, esperamos que no próximo, Ed Sheeran se eleve a alguma potência e continue nos presenteando com belas músicas viajando por várias possibilidades sonoras, mas sem deixar de lado aquele voz e violão que lhe é peculiar e que da certo.

The following two tabs change content below.
Do cult popular ao pop culto: PontoJão é o lugar para você ir além do senso-comum. Seu ponto além da curva.