Relatos Selvagens (2014)

“No presídio não é tão ruim…”

 

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Título: Relatos Selvagens (“Relatos Salvajes”)

Diretor: Damían Szifron

Ano: 2014

Pipocas: 10/10

Extremamente aclamado pela crítica, o filme argentino mais visto da história (após a primeira semana de exibição) e também maior bilheteria do cinema argentino, são títulos que “Relatos Selvagens” alcançou. Ainda não foi suficiente para levar uma estatueta da Academia como melhor filme estrangeiro, mas ganhou a nominação, e no fim das contas, não é falta de um Oscar que vai tirar a qualidade dessa obra de arte. Dirigido e roteirizado por Damían Szifron e com os irmãos, Pedro e Agustín, Almodóvar na produção, o filme nos entrega seis relatos viscerais de um drama cômico ou, se preferir, uma comédia de humor negro. As histórias não têm conexão entre si, são narrativas relativamente curtas e que se encerram em si mesmas. Porém, o que todas têm em comum é o maravilhoso fato de nos mostrar a arte, num primeiro momento, imitando o maçante cotidiano, e, logo em seguida, excedendo-o e o extrapolando-o no clímax dos pequenos contos, dois contos são suficientes para entender a estrutura geral do roteiro.

Desde o início do filme, seja através de fotografias (principalmente da abertura), ou mesmo pelo texto, comparações dos seres humanos com os animais vão surgindo aqui e ali: o advogado abutre, tentando arrancar até o último centavo de seu cliente; o veado, abatido na estrada; o conjunto de aves de rapina, minando as possibilidades de uma vida bem sucedida; uma ovelha atacada por lobos; uma tigresa, cutucada com vara curta. Nem sempre todas as metáforas ficam tão claras, mas o objetivo de todos os relatos é mostrar a selvageria do ser humano, quando ele se desfaz do apreço pelas normas dos nossos frágeis contratos sociais. Como o próprio diretor disse, o que “Relatos Selvagens” traz é “a beleza de perder o controle”.

Ao assistir o filme, vemos, diversas vezes, a realização plena da Lei de Murphy que diz que “Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível.”. A sequência de absurdos faz com que o espectador diversas seja incapaz de tomar um lado e defender este ou aquele personagem, mas fique se perguntando “por que é mesmo que essa estupidez começou?”. Para tal, o roteiro explora diversas situações que poderiam ter acontecido com, literalmente, qualquer pessoa, e há ainda a reprodução de discursos que ouvimos tão frequentemente.

Tudo isso, mais atuações extremamente passionais (como o roteiro exige), mais uma excelente fotografia e uma direção precisa, faz de “Relatos Selvagens” um achado do cinema latino americano, não apenas pela qualidade,mas também, pela excelente exploração de situações e condutas que estão tão intimamente relacionadas à cultura e ao pensamento de tantos rapazes e moças latino-americanos.

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Hippie com raiva.