Referência: Os filmes de Psicose (1960 – 1990) e a trajetória de Norman Bates

Psicose (1960)

Contém spoilers sobre o filme

Recentemente, a série Bates Motel foi encerrada em sua quinta temporada, e conseguiu se firmar com grandes momentos, com suas atuações e também a sua abordagem. E nada melhor do que relembrarmos um pouco sobre os filmes para os quais a mesma funcionou como um prelúdio.

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Não sei você, mas eu assisti à Psicose por conta da série, e o que me levou a isso foi a curiosidade em conhecer mais do filme depois que assisti a primeira temporada. Também têm aqueles que assistiram porque ouviram falar do clássico pela icônica cena do chuveiro e sua tensa música.

A trama traz uma história simples na qual acompanhamos Marion Crane (Janet Leigh) que decidiu roubar 40 mil dólares da imobiliária em que era secretária, a fim de recomeçar uma nova vida ao lado do seu namorado Sam Loomis (John Gavin). Mas o que ela não esperava era ser surpreendida por uma forte tempestade no caminho que seguia e ter que se acomodar no Bates Motel, administrado pelo simpático Norman Bates (Anthony Perkins).

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Psicose é o tipo de filme que surpreende pela sutileza e como é conduzido de forma eficiente sem soar arrastado. Essa é a sensação que tive ao assistir e compreendi o porquê de ser considerado um grande clássico. Talvez a grande sacada esteja no seu desfecho, mas é válido ressaltar como os eventos que levam ao tal é o que instiga para a sua resolução.

De repente, o telespectador está ali ainda acompanhando Marion e pensando como ela irá lidar com o problema em que se meteu, até termos a moça morta, sendo que tem muito tempo de filme para rolar. A pergunta que fica é o que virá a seguir, justamente por tirar de cena quem tínhamos como protagonista – muito antes de “Game of Thrones“. E isso é o que garante o grande trunfo, por não decepcionar e nem se perder ao entregar as respostas para o que estávamos assistindo.

Psicose 2 (1983)

Sem a direção de Alfred Hitchcock, e sim de Richard Franklin, Psicose 2 se passa 22 anos após os eventos do primeiro filme. Com Norman declarado restabelecido – depois de ser internado – o foco aqui fica por conta do moço se adaptando, tendo um novo emprego, até que ele começa a ser assombrado por fantasmas do passado.

O roteiro de Tom Holland traz uma sequência interessante de Psicose e aposta num excelente suspense, mas se mostra arrastado em alguns momentos. A química entre Anthony Perkins e Meg Tillly (Norman Bates e Mary Loomis, repectivamente) é uma das melhores coisas do longa, o que torna a tensão em cena ainda mais importante.

psicose 2

Diferente do primeiro filme, Psicose 2 trabalha com mais personagens – não que isso tenha sido um problema – mas que ajuda diante da longa duração do filme. Aliás, vendo o Warren Toomey (Dennis Franz), só me lembrei do Keith Summers (W. Earl Brown), do episódio piloto da série Bates Motel; as histórias para ambos são diferentes, mas ainda têm as suas semelhanças.

O grande trunfo do filme com certeza é o seu suspense – se com a sua duração ele se tornou arrastado, pelo menos a tensão funciona, levando o telespectador a questionar além da previsibilidade, por achar que já imagina o seu desfecho dadas informações durante o longa.

Psicose 3 (1986)

Com a direção do próprio Anthony Perkins, Psicose 3 se passa um mês depois dos eventos do segundo filme, o que foi um ponto positivo, sem tornar o enredo aqui tão confuso. Mais uma vez a sequência trabalha com mais personagens, o que é interessante e compreensível e traz para Norman a companhia de um novo assistente para o motel Duane (Jeff Fahey), Maureen (Diana Scarwid), que, afastada da fé que tinh,a decidiu deixar o convento em que vivia, e a jornalista Tracy (Roberta Maxwell) que tem interesse em investigar mais sobre o moço a fim de escrever um novo artigo focado em serial killers.

É possível notar o esforço na direção de Anthony Perkins em tornar Psicose 3 uma boa sequência, e isso se prova em algumas cenas que remete ao primeiro filme dirigido por Alfred Hitchcok. Em alguns momentos, o longa tem os seus acertos, em outros deixa a desejar na previsibilidade e não se compara ao tão bom suspense de Psicose 2.

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Um dos pontos positivos e curioso foi acompanhar as excelentes sequências entre Norman e a sua Mother e, felizmente, o roteiro de Charles Edward Pogue fez jus ao final do segundo filme. Se aqui não se repete a qualidade do suspense, pelo menos acerta nas cenas tensas, sem falar de como a fotografia também é um dos destaques.

No todo, Psicose 3 vale a pena porque aproveita muito bem a ponta solta do segundo filme, e apresenta um desfecho intrigante – não para criar expectativas, mas suficientemente satisfatório.

Psicose 4 – O Início (1990)

Psicose 4 se passa alguns anos depois dos eventos no terceiro filme. Com Norman agora casado com a enfermeira Connie Bates (Donna Mitchell), o moço volta a reviver fantasmas do seu passado por conta de uma programação na rádio em que há uma discussão sobre matricídio. A partir daí, com o uso do nome Ed, Norman começa a contar passagens da sua infância e adolescência, as quais envolviam o seu relacionamento com sua mãe Norma Bates (Olivia Hussey).

psicose 4

Com o final de Psicose 3, parecia que a história de Norman estava encerrada, mas eis que vem um quarto filme, ainda que com um enredo interessante ao contar mais sobre o passado do moço, as tentativas em remeter ao primeiro filme não funcionaram, se tornou repetitivo e peca pelas incoerências – não só por informações dadas nos longas anteriores, como também em algumas sequências. Se for comparar a versão do jovem Norman com a do Anthony Perkins no clássico de 1960, as diferenças são muitas. Certo que não são da mesma idade, mas os traços entre ambos se perderam.

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Como se não bastasse a curiosidade em sabermos o que Norman tem a contar, o suspense maior é na sua nova vítima em que irá matar e a motivação, mas que fica enfadonho de acompanhar, seguido por um suspense bem longe de ser tenso e um desfecho previsível.

No todo, as continuações de Psicose são interessantes em alguns momentos, mas passam longe de obterem o feito do clássico de Hitchcock. Com uma franquia sendo relegada às prateleiras empoeiradas de VHS nas locadoras, o destino das sequências é basicamente o mesmo dos personagens dos filmes: entre mortos e feridos, poucos se salvaram.

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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.