Refém do Medo (2016) é um suspense fraco e preguiçoso (comentário com spoilers)

Já faz algum tempo que não vejo Naomi Watts protagonizando um filme de suspense – desde “A Casa dos Sonhos” (2011) – e, embora o seu desempenho aqui seja convincente, “Refém do Medo” é uma verdadeira perda de tempo. Na trama, Naomi interpreta Mary Portman, uma psicóloga infantil, viúva, que cuida do seu filho Stephen (Charlie Heaton), tetraplégico. Certo dia, depois que um de seus pacientes Tom (Jacob Tremplay) desapareceu, ela tem sua própria sanidade questionada ao acreditar que é assombrada pelo garoto.

Assisti ao filme sem muita expectativa, pois no trailer já aparentava ser bem genérico — o que de fato é —, então não tinha o porquê esperar ser surpreendido. O ritmo e o tom são os mesmos durante os 91 minutos de duração, e isso é bom, porque acompanham os dramas de Mary de maneira eficiente. No entanto, é frustrante como o longa é bem problemático em muitos aspectos: apesar de ter uma história aparentemente interessante – conforme as informações são dadas -, a forma que ela é executada acabou prejudicando o seu desenvolvimento e desperdiçando qualquer potencial que poderia ter.

refém do medo

A direção é de Farren Blackburn – que dirigiu episódios de “Demolidor“, “Punho de Ferro“, “Doctor Who” – ainda que acerte no seu tom, e as atuações de Naomi e Charlie sejam o destaque, em nenhum momento se cria um contexto que torne a história instigante; tudo acontece de forma vaga, seguindo uma trama extremamente previsível e que simplesmente apela para jumps scares – os famosos sustos – ou em alguma cena que deveria ser tensa, mas que na verdade é apenas um sonho da personagem — já entregue pelo trailer. Isso o torna repetitivo em vários momentos.

O ator Jacob Tremplay tem uma participação dispensável aqui – como a maioria dos personagens; desde o excelente filme “O Quarto de Jack” (2015), o garoto ganhou notoriedade, e esse é o segundo longa de suspense com a sua participação. O seu carisma se mantém o mesmo, mas que não é o suficiente para tornar o seu papel aqui relevante.

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E, ao fim, o que estava ruim só piora; o seu desfecho é onde a trama despenca. A impressão que deixa é que o filme pretende entregar algo diferente, mas o foco se limita em criar reviravoltas com o mais do mesmo. Ficou impossível não se lembrar do excelente filme “A Órfã” – o suspense entre ambos nem se compara – em alguns momentos nos seus minutos finais.

Refém do Medo tenta desempenhar um bom filme de suspense, mas tentar ser grande numa fórmula genérica foi o seu maior erro e, afinal, é no que o mesmo se resume.

*O longa está disponível no catálogo da Netflix.

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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.