Comentário: Madonna – Rebel Heart (2015)

“Isso pode soar como se eu fosse uma vadia sem remorso
Mas as vezes eu preciso falar como é que as coisas são”

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Madonna é um tipo de artista que todas as pessoas de alguma maneira acabam ouvindo, seja na rádio, faculdade, na balada ou barzinho; a versatilidade da cantora, a carreira com mais de 30 anos e o empenho que a artista possui em se manter no posto de “Rainha do Pop” desperta interesse, curiosidade e questionamentos acerca do cenário da música Pop mundial.

Já faz um tempo que a cantora tem usado um artifício muito comum em músicos veteranos: aliar-se com quem está fazendo sucesso. Da participação especial no Acústico MTV de Miley Cyrus, um photoshoot para a V Magazine com Katy Perry e uma recente performance com Taylor Swift para alavancar o novo disco, Madonna mostra que vem tentando se renovar. Seu último disco a ficar em #1 foi “Confessions on a Dance Floor”, de 2005, que possui uma fórmula intrínseca, um pouco parecido com o que vemos no recém lançando “Rebel Heart” (Com as primeiras impressões colocadas no nosso Resenhas.Cast), que mostra ser um álbum calculadamente ordenado, além de possuir uma sonoridade homogênea compartilhada entre suas faixas.

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Nota: Rebel Heart foi lançando em 3 versões, uma standard com 14 faixas, uma deluxe com 19 faixas e uma super deluxe com 25 faixas.
Para essa resenha foi analisada a versão com 14 faixas.

Ao botar play no 13º álbum de estúdio da cantora, um acerto: “Living for Love”. São essas faixas carros chefe de divulgação que com certeza abre ou fecha um show, mescla pop e eletrônico como deve ser feito, e claro, aquele refrão chiclete fundamental na fórmula de um sucesso. Em seguida, como estamos falando de uma artista considerada pagã e eterna herege, uma canção mais irônica. Em “Devil Pray”, ela fala que todos podem fazer o que desejar e depois é só pedir perdão à Deus que está tudo certo, Madonna não perde a chance de chocar e nesse caso seu hit “Like a Prayer” se sentiu bem representado em pleno 2015. A ironia-crítica continua na faixa “Illuminati”.

No álbum muitas canções soam íntimas e “Ghosttown” simboliza fortemente essa ideia. O melhor single de Madonna desde 4 minutes – na minha humilde opinião – nos mostra que  o coração rebelde da cantora ainda é apaixonante e a balada segue a receita de sucessos como as clássicas “Miles Away” e “Forbidden Love”,  e logo após toda essa paixão vem a party! Na faixa seguinte, “Unapolegetic Bitch”, Madonna busca algo entre Miley Cyrus e Rihanna, tem tudo para virar hit de balada assim como “Bitch I’m Madonna”, ambas produzidas pelo Diplo, esta segunda tendo como participação especial a rapper Nicki Minaj. “Hold Tight” se mostra uma balada, e apenas isso, para mim ficaria melhor como uma b-side.

Em  “Joan of Arc”, mostra que ainda consegue fazer uma boa música pop a altura de “Live to Tell”. Com a participação de Chance the Rapper e Mike Tyson em partes da música “Iconic”, essa com certeza vai agradar quem gosta do eletrônico com ares de anos 90. E para quem gosta de canções mais limpas e com um piano “HeartBreakCity” veio para vocês.

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É notável que a cada 1 música agitada, o álbum possui 2 baladas, “Body Shop” é apenas mais uma com algo que lembra o antigo hit “Open Yout Heart”, já em “Holy Water”, Madonna mata a saudade dos fãs mais saudosos com uma música muito parecida com os trabalhos dela no início dos anos 2000 (“American Life” e “Music”), além de possuir trechos do seu emblemático hino “Vogue”. As faixas finais da edição standard, “Inside Out” e “Wash All Over Me”, são primas de “Ghosttown”, mas se enquadram mais em trilhas sonoras de filmes ou dariam belos videoclipes, ouvindo-as é notável o quanto Madonna se dedicou em faixas mais calmas neste álbum.

Madonna gosta de provocar, ainda choca todos e prova que pode sim continuar ocupando o posto de rainha do pop, contudo, Madonna pode dançar muito, mas sua voz já sinais de fraqueza. Em um dos álbuns mais aguardados do ano é notável que tantas baladas e poucas canções dançantes deem uma indicação de que a cantora, de 56 anos, já pensa em uma mudança em seu estilo. O que não deixará as boates e rádios sem hits, afinal se manter no atual cenário pop, com suas turnês mundiais e milhões de discos vendidos, só nós faz concordar que: em terra de pop, Madonna é quem manda.

Se você gostou de “Rebel Heart”, poderá gostar de:
– “1000 forms of Fear“, Sia (2014);
– “The Imaculate Collection”, Madonna (1990).

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Do cult popular ao pop culto: PontoJão é o lugar para você ir além do senso-comum. Seu ponto além da curva.