Mudando para os Estados Unidos – o racismo no território americano

Pois bem senhoras e senhores! No começo da história de hoje eu gostaria de avisar que o tema não será focado em sobrevivência financeira ou como se encaixar no mercado de trabalho americano. Vou falar sobre uma parte da cultura americana, uma parte não muito bonita. Já faz alguns anos que o racismo é discutido no mundo ocidental todo e em todas as mídias, agora estando bem relevante pelo lançamento de Pantera Negra, mas as discussões raciais e até mesmo a visão sobre o assunto é bem diferente entre o Brasil e EUA.

Arte por Mike Monahan

De começo as “Raças” são muito bem divididas e etiquetadas. Negros, hispânicos, asiaticos, brancos, e dentro destas categorias se encaixam outras sub-categorias e assim vai. Qualquer mistura entre uma raça e outra muitas vezes desconsidera uma raça por completo, como é exemplificado na música do rapper Joyner Lucas Half N*gga, onde ele diz as dificuldades de aceitação dentro da comunidade negra por ter uma mãe branca e um pai negro, mesmo tendo traços e cor de pele completamente afro-decendentes.

No Brasil, a raça é mais uma opnião do que algo realmente biológico, como exemplo, quando eu morava no Espirito Santo eu era considerado moreno, já em Santa Catarina eu era negro, tendo apelidos como Obama, Negritude e o mais amado por todos Orgulho da Raça. Aqui eu não poderia me chamar de negro, poderia ser considerado até mesmo uma ofensa. Esta divisão, profundamente instituída na sociedade americana, acaba criando uma discrepância ainda maior entre as raças, acompanhadas por sotaques diferentes, modos diferentes de se vestir e até posturas diferentes, deixando o negro, o latino e o asiático com um ar quase que místico, alienígena.

racismo
Elenco de “Dear White People”

Claro que pessoas no Brasil devem ter visto as passeatas nas ruas com os supremacistas brancos, mas este tipo de racismo é raro. O que é mais comum é ignorar o racismo e suas consequências. Muitas vezes, os americanos ignoram a história passada do negro e do latino, ignoram como essa história afeta a vida dessas pessoas até hoje, ignoram que bairros com maioria negra ou latina são bairros mais pobres, onde crescem crianças pobres, que se tornam adultos pobres e geram mais crianças pobres fazendo com que o ciclo continue. Onde gerações após gerações não tiveram oportunidade para uma educação melhor – lembrando que TODO o ensino superior aqui nos EUA é pago.

Aí entra a ajuda governamental, com auxílios financeiros para essas pessoas. Mas alguns acreditam que o passado e a história não tem nada haver com a situação destes grupos agora, por isso não existe necessidade de ajudá-los a subir na vida. Este é o tipo de “racismo” que é comum, mais ainda no centro-sul do país. Lembrando que a questão financeira é muito importante para o povo americano, qualquer coisa que envolva o bolso do povo eles são muito defensivos e agressivos.

Claro que no Brasil existem grandes problemas na questão racial – não estou dizendo se são piores ou não, estou dizendo que são diferentes. Como vemos essa questão e como eles veêm é muito diferente. Talvez, agora, com esta pequena explicação, vocês possam entender um pouco mais da cultura americana quando vierem para cá ou assistirem um filme como Pantera Negra (que é maravilhoso, assistam 2x no cinema como eu já fiz).

 


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caiosantanasilveira

Professor, fotógrafo, sashônico, randômico e Mestre das Orcas às terças-feiras