Qual é a sua opinião?

Filmes, séries, podcasts, livros, músicas e franquias de fast-food. Com o volume colossal de itens próprios para o consumo, é preciso pensar bem antes de escolher uma das opções à disposição para que você não perca o seu tempo ou acabe com uma infecção intestinal.

Como os marujos que partiram da península ibérica em busca do desconhecido, os Colombos contemporâneos desbravam os mares da cultura popular e concluem sua odisseia trazendo vídeos, organogramas e resenhas com análises das mais diversas obras. Seu trabalho costuma ser um bom filtro para aqueles que preferem se deixar influenciar por pessoas cujas impressões se mostraram confiáveis ao longo do tempo.

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Quem critica os críticos?

Felizmente, ou não, é possível se tornar um marinheiro cultural sem obter requisitos curriculares específicos, assim como o jovem que vos escreve. A consequência dessa democratização é… bom, a democratização é a exata consequência, afinal, nesse universo de consumidores, todos são críticos em potencial.

Temos, então, uma vastidão de opiniões formais, informais, acintosas e afáveis que podem não chamar a atenção, mas certamente exercerão seu direito fundamental de existir. Após o espetáculo das opiniões, o que sobra no palco da discussão normalmente são os números, estrelas, porcentagens e tomates estragados jogados pelo público.

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O outro lado da moeda são os espíritos livres que afirmam não fazer parte desse círculo de analistas e acatadores de opiniões. Para esses discípulos de São Tomé, críticas nada mais são que produtos inicialmente neutros que poderão ser avaliados após a apreciação pessoal da obra – o que me parece realmente virtuoso.

Então, por que existem críticas?

Obras amplamente criticadas tendem a ser as de mais fácil consumo. Não é atoa que filmes que se apoiam unicamente em efeitos especiais para fazer sucesso são alguns dos que fazem o público mais exigente torcer o nariz – estou falando com você Michael Bay. A grande questão reside no quanto a crítica, especializada ou não, influencia nos pacatos seres humanos que buscam apenas uma boa diversão sem preocupações.

A teimosia daqueles que veem para crer parece ser mais racional do que a aceitação dos que acreditam nos relatos dos exploradores. Se lançarmos um olhar mais ponderado sobre a questão, percebemos que se você não se deixa influenciar por opiniões alheias, sofre o mesmo processo de digestão de conteúdo que os Américos Vespúcios da opinião.

Essa aventura o trouxe a uma estrada bifurcada: Se você os ouve, pule para a página 27. Se você é um deles, pule para a página 42.

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No final, tudo se resume ao seu próprio costume. A profecia diz que se uma pessoa alcançar um nível de maturidade alto o suficiente, esse ser é capaz até de considerar que ambas as opções estejam corretas. É quando o indivíduo se torna um unicórnio dourado.

O problema é que não tenho visto muitos unicórnios ultimamente. Me resta acreditar que tudo não passa de uma lenda além-mar.

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Esse texto foi escrito por Leandro Bezerra. Encontre-o no Twitter.