Túmulo do Rock – quando as bandas de rock ficam pop

Túmulo do Rock é uma série de 3 textos com opiniões controversas sobre as bandas de rock de ontem, hoje e sempre.

Bandas de Rock

Quando se pensa em música atualmente, parece que as bandas de rock sempre estiveram por aí. Porém, e naturalmente, não é bem assim. Como é sabido, o gênero teve seu início bebendo de diversas influências que foram desde a música country até os ritmos negros americanos, blues, jazz, soul, funk, R&B, etc. Essa miscigenação deu origem a um estilo extremamente popular que teve importância não apenas na vida de músicos e seus seguidores, mas também erigiu verdadeiros monumentos culturais que podem ser considerados legados da humanidade.

A exemplo de tais marcos, temos o festival de Woodstock em 1969, a devastadora influência dos Beatles em artistas completamente diferentes, como Djavan ou Soundgarden ou ainda a imagem de Kurt Cobain e como ele e o Nirvana marcaram indelevelmente os anos 90, mesmo a banda tendo sua primeira gravação em 89 e durado apenas até 94.

Bandas de Rock

Evidentemente, um estilo musical capaz de abarcar tantos grupos, e fazer com que diversas pessoas seguissem suas bandas favoritas aonde quer que elas fossem (caso dos “deadheads” — fãs do Greatful Dead), não poderia evocar outro sentimento senão uma paixão profunda. Sem que isso mudasse, com o passar do tempo, vimos uma certa “aguada” no caldo daquilo que era mais popular em se tratando de rock.

Em geral, se poderíamos colocar nos anos 60, 70 e 80 bandas como Pink Floyd, Led Zeppelin, Black Sabbath, Metallica, Iron Maiden, entre outras, num patamar equilibrado de complexidade musical e sucesso, a partir dos anos 80, parece que se o tempero das bandas de rock não fosse mais fácil de digerir, elas não teriam uma boa aceitação — assim, vimos as melhores piores bandas surgindo (ou piores melhores, como preferir). Sem citar nomes, diria que a esta cena, vale a pena pensar em bandas que, ao mesmo tempo em que produziam músicas tão melosas quanto sem um conteúdo mais substancial, estavam mais interessadas em criar uma imagem, aparecer bem na mídia e, é claro, fazer dinheiro — muito dinheiro.

Bandas de Rock

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Mas isso não chega a ser um problema. Desde que a música se tornou um grande mercado, coisas mais e menos comerciais vão aparecendo aqui e ali e, além disso, o mundo é grande e há espaço para todos. Contudo, a massificação de certos conteúdos vai criando um público mal acostumado — e não é com o seu amor, como diria Tatal e o Ara ketu.

Um conceito interessante para pensarmos nisso vem da música pop e de como ela é capaz de criar uma identificação coletiva e individual ao mesmo tempo, muito rapidamente. Por exemplo, quando um certo grupo de amigas ouve uma certa música no carro, todas elas dizem “essa é a minha música”. Ou, numa mesma “quintaneja top”, todos os caras se sentem tocados pelo mesmo sertanejo universitário que fala de uma baita dor de corno. Essas composições novas são capazes de criar uma identificação instantânea que só pode existir baseada em uma experiência anterior do público.

Bandas de Rock

Em poucas palavras, o algoritmo do pop faz com que uma canção fale absolutamente tudo o que já foi dito e de uma forma já usada, mas numa embalagem novinha. Assim, a ideia da música pop é fazer com que as pessoas reconheçam padrões antigos no sucesso radiofônico do momento sem perceber suas repetições e suas abordagens “preguiçosas” de temas banais. Você pode odiar pop com todas as forças desse seu coração gelado, mas é preciso admitir que há muitos méritos em fazer com que essa fórmula dê certo.

Com isso em mente, sabemos que no rock não foi/é diferente, e talvez isso explique a existência do rock de arena, além de nos abrir os olhos para o quão grande é o talento de quem deixa fórmula de canto e faz um trabalho original de fato.

Bandas de Rock

 

Em conclusão, é normal, para determinados artistas, pertencer a mais de um gênero, sendo totalmente rock com uma produção pop. É claro, em determinados estilos, isso vai ser consideravelmente mais difícil, ou até impossível. Assim sendo, não é raro encontrar inúmeras bandas de rock que seguem uma fórmula bastante pop para trabalhar — ao pensar, lembraremos de bandas novas e do passado. Como já dito, isso está longe de ser um problema, mas massifica um conteúdo que cria um público viciado e incapaz de ouvir coisas novas — música pop, por exemplo.


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