Resenha | Projeto Flórida (2018) – a riqueza da simplicidade

Título: Projeto Flórida (“The Florida Project)

Diretor: Sean Baker

Ano: 2018

Pipocas: 8/10

 

A simplicidade é um elemento ímpar para a Sétima Arte. Não é preciso de muito para se fazer importante. Talvez no que estamos achando tão oco de sentido, mora ali a simplicidade, fazendo um retrato importante daquilo que nos molda e faz parte de nós. Exemplo disso são os indicados na categoria de Melhor Filme no Oscar deste ano: “Lady Bird: Hora de Voar” e “A Forma da Água” (o vencedor). A sensação de mais do mesmo não passa, mas ambos souberam cativar o telespectador do seu jeito, tendo em comum a beleza da simplicidade.

Não muito diferente desses aspectos, temos “Projeto Flórida” – que, mesmo não sendo indicado a Melhor Filme, rendeu a indicação para William Dafoe como Melhor Ator Coadjuvante. A trama se concentra na rotina na pequena Moonee (a encantadora e talentosa Brooklyn Prince), uma garota de seis anos que aproveita a sua infância se envolvendo em tremendas travessuras ao lado de dois melhores amigos: Scooty (Christopher Rivera) e Jancey (Valeria Cotto). Enquanto se diverte, ela e sua mãe – Halley (Bria Vinaite) – tentam sobreviver num pequeno quarto do hotel – aos arredores da Disney – contando com a importante ajuda de Bobby (Dafoe).

 

A direção é do jovem Sean Baker – que ganhou notoriedade em 2015 pelo longa “Tangerine” -, familiarizado com gêneros de comédia e drama, que retornou aqui para trabalhar no roteiro em parceria com Chris Bergoch. “Projeto Flórida”, como supracitado, é um filme simples, sendo também harmonioso e leve, com o seu belo filtro roxo destacando a fotografia. Além disso, passa a sensação de um longa para descontrair ao atentar para os seus traços voltados para o humor. O humor também se deve ao acompanharmos a trajetória da pequena Moonee, enquanto em alguns momentos a câmara trata de ser objetiva a fim de explorar mais da personagem, ignorando os adultos.

Encante e pinte o seu mundo perfeito. É impossível o longa não conduzir o telespectador ao riso acompanhando Moonee e seus amigos fiéis de traquinagens, enquanto nos remete a nossas infâncias. No momento em que tudo era inocência, quando podíamos visitar o nosso lugar seguro e lá explorar a criatividade, a bagunça, a “melança” ou quando sabíamos que era necessário não contar ao nossos pais o que fizemos de desagradável. Assim vivia Moonee, segura em sua alegria, aproveitando a sua infância nos braços de amor de sua mãe – que ocultava a realidade dura em que vivia.

projeto flórida

A marginalização, a dificuldade, as perdas, a decepção e a perseverança em sobreviver a um mundo cruel, eram o que marcava a rotina de mãe e filha, mas que nada abalava a pureza no olhar e inocência de Moonee. Intenso e emocionante como Sean Baker desviava a câmera e nos levava a acompanhar o medo, a insegurança, a dúvida e o “não conhecer” juntamente com a pequenina.

O mundo é cruel duro e injusto. O mundo inabalável, colorido, vibrante e alegre da Disney está logo ali – o que confirma o título do filme ao que referencia o nome dado ao projeto do World Disney. Mas o que “Projeto Flórida” fez foi apresentar a realidade que vai além de um mundo sem imperfeições e, nos minutos finais, numa cena cheia de significado e de cortar o coração, abraçou tudo o que o longa findou e relatou, numa história carregada de drama e comédia, mas angustiante na sua verdade.

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.