Primeiras Impressões – Supermax (2016)

Quando Supermax foi anunciada pela Globo, muito se foi falado sobre ser totalmente diferente de tudo que a emissora já fez. Uma série sobre um reality onde presidiários ficam confinados em uma prisão no meio da Amazônia não parece ser um projeto que a nacional (e até mundialmente) conhecida Globo abraçaria. E a cada novo teaser, nova imagem e novo trailer as expectativas do público só aumentavam, e pela internet foram criados dois grupos: os que achavam que Supermax seria espetacular e uma renovação para o tradicional conteúdo da TV aberta brasileira, grandemente pautado em novelas, e os que esperavam algo péssimo. Após o primeiro episódio, posso afirmar que nenhuma das expectativas foi atingida na estreia do programa.

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O primeiro episódio é usado basicamente para integrar o telespectador ao reality show que será o cenário dessa temporada, com ares de BBB – inclusive tendo o Pedro Bial como apresentador -, e é esse o formato usado para apresentar toda a história. Vídeos de apresentação dos participantes, conversas com o apresentador, prova do líder… Tudo está lá e é bastante eficaz para dar o tom da série. Mas ela começa a se perder exatamente ao mostrar o outro lado da trama: o sobrenatural.

Apesar de terem aparecido pouco, as cenas onde há o terror são estranhas, e a transição entre elas e as cenas “normais” causa uma sensação de deslocamento.

Os atores são bons, e foi bem interessante a escolha de em todo o elenco só ter duas atrizes conhecidas pelo grande público, Mariana Ximenes e Cléo Pires, ambas ótimas em seus papeis. O resto do elenco está muito bem, apesar do texto ser bastante irregular em alguns diálogos.

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Claramente bebendo de elementos de algumas séries como Lost e American Horror Story, a curiosidade ainda é presente. Apesar dos erros, é difícil não se interessar por alguns mistérios, como o passado oculto dos personagens e em como será a vida dos participantes nesse reality bastante incomum.

A decisão de liberar 11 dos 12 episódios da temporada no Globo Play, streaming da emissora, mostra uma vontade de captar um público que já não se interessa pela TV tradicional. A ousadia parece ter sido bastante válida, já que gerou o burburinho necessário e com certeza convidou novas pessoas a assistirem.

Caso Supermax dê certo, pode ser iniciada uma onda de novas séries brasileiras, de qualidade e que fujam dos tradicionais ares novelescos. Será o início de um novo momento para a TV brasileira?

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