Primeiras Impressões: Slasher (2016)

No subgênero de terror/suspense chamado slasher, morre muita gente. Ele consiste basicamente em ter um serial killer – normalmente humano – que se propõe a matar o maior número de pessoas que consegue. Acompanhado dessa premissa, o gênero traz um carretel de clichês que, numa série chamada Slasher, não poderia faltar.

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Entre facas e mutilações mal feitas e sangue falso vagabundo, “Slasher” é sua nova série ruim favorita. Agora vou te contar o porquê.

Vamos começar o bingo do slasher? Estamos 30 anos no passado (história começa com flashback: confere), em uma noite de Halloween (…confere), na qual um casal é brutamente assassinado (um confere óbvio aqui, mas tudo bem). A esposa, grávida de nove meses, não escapa, mas a filha do casal, sim (confere, sim). Trinta anos depois, a garota, agora adulta, “ganha” a casa na qual seus pais morreram (mais um) e resolve se mudar para a pequena cidade misteriosa (…então) com seu marido. Uma vez lá, conhecemos seu amigo de infância policial (superconfere!) e sua vizinha louca (megaconfere!), bem como outros personagens que certamente vão morrer em breve. Quando o assassino retorna fazendo novas vítimas (SUPERMEGACONFERE!), Sarah se vê obrigada a enfrentar o seu passado para salvar a ela e aqueles que ama no presente.

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Agora, antes que você grite “bingo”, “Slasher” não é só isso – embora, no geral… Seja sim. A série, original do canal Chiller, traz outros elementos consagrados dos filmes de suspense, como por exemplo o Psicopata Estrela-Guia. Como Hannibal e Red, de “The Blacklist”, o assassino que matou os pais de Sarah, que agora cumpre prisão perpétua, dá conselhos para a moça de como investigar as mortes que estão ocorrendo e descobrir a verdade sobre este novo serial killer. Isso dá uma dinâmica diferenciada para a série, porque ao contrário de “Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado” e da série “Scream“, não ficamos nos perguntando se o assassino original voltou para um bis.

Por outro lado, o marido de Sarah é jornalista, e sua chefe é inescrupulosa e irá fundo na história apesar das ressalvas de sua equipe, o que conta mais dois conferes em sua cartela, imagino.

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Se tudo isso te deixou com uma impressão que você já viu isso antes, você está absolutamente certo, principalmente no que tange ao cinema. Quanto à TV, “Slasher” temduas vantagens em relação aos seus competidores recentes; a série de Ryan Murphy, “Scream Queens”, é galhofa demais, o que espanta a audiência e torna quase impossível de se importar com seus personagens – e, consequentemente, com a morte inevitável deles. No outro ponto do espectro, “Scream”, da MTV, cometeu o erro de tentar estender uma história de serial killer por mais de uma temporada; caso você não tenha notado, te aponto o erro lógico: pessoas morrem em filmes slasher, aos montes. Se sua série se estende, você começa a jogar polícia-e-ladrão: você eventualmente descobre quem é o assassino por eliminação, porque só sobra ele.

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“Slasher” vem com a proposta de ser uma série de antologia (ou seja: trará uma história diferente por temporada, como True Detective), e ela se leva muito à sério – e talvez isso seja um ponto fraco. Quando você resolve fazer uma série slasher para a geração pós-Pânico, que já caçoou de todos os elementos citados aqui, ser levada a sério por sua audiência é uma tarefa hercúlea. Ainda assim, mesmo com seu baixo orçamento óbvio (temos uma cena de mutilação na qual claramente estamos vendo uma mão de forro ser cortada) e atuações risíveis (eu comentei que o marido dela é interpretado por um ex-Power Ranger?), “Slasher” é o mais próximo que chegamos desse gênero que amamos odiar nas telas de nossas casas. Se é o seu caso, eis aqui, como prometido, sua nova série ruim favorita.

Ah, e eu disse que o piloto termina com cenas que mostram que todos na cidade têm segredos obscuros e são assassinos em potencial?

Bingo.

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.