Primeiras Impressões: “Narcos” (2015)

maxresdefault

Já é chover no molhado dizer que as produções originais da Netflix têm um crescimento diretamente proporcional na sua qualidade e ousadia. Não é diferente com Narcos, série que se propõe a contar uma breve e recente história do tráfico de cocaína nos Estados Unidos. Apesar de um contingente muito grande de brasileiros envolvidos com a série, sendo os nomes mais mencionados, Wagner Moura (como Pablo Escobar) e José Padilha (Tropa de Elite), que dirigiu os dois primeiros episódios, a língua portuguesa não é falada na série, que tem uma divisão balanceada entre falas em inglês e espanhol, o que é muitíssimo interessante para a construção do texto. Destaques ainda para o ex-Hermano Rodrigo Amarante cantando a música de abertura, Tuyo” e para o diretor Fernando Coimbra, que também dirigiu alguns episódios.

26130837304289

O primeiro episódio é uma breve narração de como Pablo Escobar veio a se tornar traficante de cocaína e como essa droga viria a entrar para o cotidiano do DEA (departamento de narcóticos da polícia americana). A história está repleta de personagens que não são apenas fictícios, o já mencionado Pablo Escobar, e o narrador da história, o policial americano Steve Murphy (Boyd Holbrook), por exemplo. Acertadamente, a direção do episódio usa vários recursos que são característicos de documentários, como a narração em terceira pessoa, exposição de fotos e vídeos reais, misturados com uma linguagem que apesar de bastante direta não é chata e nem soa didática. Além disso, em pequenas doses, aparecem cenas de ações policiais que não decepcionarão quem gosta do gênero.

narcos-netflix-wagner-moura-pablo-escobar-03

A história deixa o espectador um pouco culpado por estar tão cativado pelos personagens, que não são os clássicos exemplos estereotipados de personagens bonzinhos e personagens malvados. Aliás, “no mundo do narcotráfico, bem e mal são relativos” é o mote do policial que narra a história, isso deixa margem para pensarmos que situações realmente problemáticas estão por vir. Outra coisa que, muito provavelmente, vai segurar o espectador na frente da tela são as atuações extremamente competentes dos atores principais, especialmente Wagner Moura, que foi para Colômbia aprimorar o espanhol para viver o traficante mais bem-sucedido da história. O ator ainda ganhou vinte quilos para ficar mais parecido com o real Pablo Escobar.

Uma das campanhas da Netflix traz o slogan “o sucesso virou pó” (ou será que “o pó virou sucesso?”), mas a questão é que a pasta base desse material é de muitíssima qualidade e, se ninguém errar na mistura dessa receita, haverá viciados o suficiente para sustentar essa temporada com avaliações extremamente positivas.

The following two tabs change content below.