Primeiras Impressões: “Minority Report” (2015)

Três irmãos que através de desenvolvimento genético são capazes de ver o futuro. Uma agência policial que usa esses irmãos para evitar que homicídios aconteçam. Uma utopia velada construída sobre um falso senso de segurança. São estes os três elementos que formam o fundamento de “Minority Report”, o filme de 2002 estrelado por Tom Cruise e dirigido por Steven Spielberg, mas não exatamente os mesmos que compõem a série com o mesmo nome. Aqui, temos mais uma série policial composta por um cara com habilidades especiais, mas pouca aptidão social, que acompanha uma agente durona e… Enfim, você já viu essa série. Aqui, o pano de fundo futurista é o que evita que “Minority Report” seja só uma mistura de “As Visões da Raven” com “CSI”.

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Vamos começar pelos pontos que funcionam. A série é corajosa por não fazer um reboot do filme – o que seria o caminho mais confortável. A série se passa após os eventos do longa original e mostra como um dos “precogs”, Dash, tem tocado a vida após o fim da Unidade de Pré-Crime, organização que os usava para seus próprios fins.

Outro ponto alto da série é o futuro que eles mostram. Desde as grandes e sensacionais tecnologias do futuro de 2065, como droides-relógios e semelhantes, aos pequenos detalhes (como o anúncio da 75ª temporada de “Os Simpsons” na televisão), o ambiente da série no qual a trama se insere é riquíssimo e interessante. Além disso, ver a mãe da personagem principal falando que quando ela era criança existia algo chamado “Tinder” é bem bacana.

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Essa trama, por outro lado, deixa a desejar. A série mostra Dash como sendo o precog mais fraco dos três (até para a série ser mais fácil de escrever), que só lembra o lugar e alguns vislumbres do crime que vai ocorrer. Sua inevitável parceira policial, a detetive Lara Vega, usa sua tecnologia de investigação para juntar as peças e fazer o mosaico de Dash fazer sentido. Eu ia listar séries semelhantes, mas já fiz isso no texto de “Lucifer” – que, surpresa!, é outro exemplo.

A cronologia da série – obviamente uma parte importante do roteiro – também não encaixa, e o primeiro crime que eles têm que resolver é simplesmente ridículo. Não há peso na história; a vontade era que aqueles personagens saíssem de cena para que pudéssemos contemplar mais daquele mundo futurista, e ainda estou tentando entender a cena que a policial evita usar sua arma que não mata enquanto o assassino está prestes a ser bem-sucedido.

MINORITY REPORT: Pictured L-R: Meagan Good as Detective Vega and Stark Sands as Dash. ©2015 FOX Broadcasting Co. CR: Bruce Macaulay/FOX
Meagan Good é a Detetive Vega e Stark Sands vive Dash.

Ao reduzir o filme original à batida fórmula “cara especial ajuda polícia com suas habilidades enquanto mantém tensão sexual com sua parceira”, o piloto de “Minority Report” mostra uma série genérica com um potencial imenso e um pano de fundo caro. Ainda assim, nem tudo está perdido: séries com construções semelhantes, como Hannibal (embora essa seja muito mais interessante e ousada) e Sleepy Hollow enfrentaram esses mesmos desafios e venceram – embora Hannibal tenha sido cancelado em três temporadas e Sleepy Hollow mal tenha passado da segunda, mas enfim. Difícil ver o futuro de “Minority Report”, mas ela certamente precisa engrossar seu caldo para conseguir se destacar na TV da Era Netflix+HBO.

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.