Primeiras Impressões: “Lucifer” (2015)

Não, não estamos falando o que achamos do cramunhão. Na onda da adaptações de quadrinhos, após a NBC surfar (uma marola curta e frustrante) com “Constantine”, a Fox encomendou sua própria versão distorcida de quadrinhos na forma de “Lucifer”. A série adapta o personagem homônimo criado por Neil Gaiman em Sandman e que ganhou sua própria revista posteriormente. Na trama, Lucifer Morningstar está entediado após 10 bilhões de ano governando o inferno, decidindo largar o trono e abrir um bar chamado Lux, em Los Angeles. Essas são as nossas primeiras impressões do piloto exibido na San Diego Comic Con.

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A premissa entre a série de TV e a série dos quadrinhos é a mesma, mas as semelhanças param por aí e passam a ser mera coincidência. O formato escolhido pela Fox é o procedural, no qual uma pessoa com habilidades extraordinárias ajuda uma policial bonita, mas difícil de se lidar, a resolver crimes que seriam teoricamente insolúveis – com uma boa dose de tensão sexual entre os protagonistas, claro.

Algumas adaptações conseguem se afasar do material base, mas ainda se manterem boas e originais; quando você liga uma mitologia vasta e possibilidades imensas de uma premissa tão rica quanto “o diabo tira férias do inferno” a um procedural genérico, você sufoca tudo o que a série poderia trazer de novo – embora você a faça bem mais atraente para o público médio.

d5fb4717a64c8ba3465a675b104a9c4aApesar da ideia ser aguada e limitada, a equipe consegue executá-la bem dentro das suas possibilidades. A escolha de Tom Ellis é acertada, e ele consegue fazer o típico “diabo-charmoso”, visto em tantos filmes, aqui com um sotaque britânico (o que acrescenta +3 em Carisma automaticamente para qualquer personagem); Chloe, interpretada por Lauren German, tenta ser complexa, mas acaba caindo num limbo à la Bella Swan, de “ele se sente atraído por mim porque os poderes dele não funcionam comigo”. Na parte visual, as cenas que dependem de computação gráfica ficam aquém do esperado, e espera-se um esmero maior no episódio que realmente for ao ar.

O elenco de apoio: Chloe (a policial), o anjo inimigo de Lucifer e a psicóloga dele na série (?!).
O elenco de apoio, da esquerda para a direita: Chloe (a policial), o anjo inimigo de Lucifer e a psicóloga dele na série (?!).

E cabe lembrar, claro, que já tem abaixo-assinado para a série não ir ao ar. Mães preocupadas, em vez de simplesmente não deixarem seus filhos verem a série sobre um personagem ficcional baseado em outro personagem ficcional que já existe há mais de 20 anos, estão se dedicando a não deixar a série ser exibida – dando publicidade gratuita para ela no processo. Mas isso não é surpreendente.

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“Quem não tem colírio…”

“The Mentalist”, “Castle”, “Elementary”… Sem pensar muito, algumas séries com a premissa “caras extraordinários e charmosos que ajudam a polícia a resolver crimes”. Uma série com tanto potencial quanto “Lucifer” cai nas presas da TV aberta, e parece correr em direção à mediocridade que dura sete anos ou ao cancelamento repentino. Se o maior truque que o diabo já conseguiu fazer foi convencer o mundo de que ele não existe, talvez seria melhor ele continuar inexistente.

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.