Primeiras Impressões – Legion (2016) é uma insana surpresa

“Legion” foi anunciada e o caos se instalou: era uma série para o FX, baseada em quadrinhos dos X-Men, sobre o filho de Charles Xavier, David Haller, o mutante conhecido como Legião. Logo as teorias surgiram: a série seria conectada aos filmes? Os poderes dele seriam semelhantes aos quadrinhos? Como abordariam a complexidade do personagem, e como seriam os efeitos?

A estreia de “Legion” finalmente chegou, após pôsteres curiosos e meses de expectativa. A julgar pelo primeiro episódio, a série será muito mais ousada e imaginativa do que havíamos cogitado.

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A trama conta a história de David Haller (Dan Stevens), um homem que foi diagnosticado com esquizofrenia ainda em sua juventude. Internado em uma instituição psiquiátrica, Haller conhece Sydney “Syd” Barrett (Rachel Keller), uma jovem reclusa que não aceita ter contato físico. Enquanto isso, temos vislumbres do passado e do futuro de David, o qual agora está solto, mas sob a custódia de um misterioso interrogador que diz trabalhar para a polícia. Tentando descobrir a verdade sobre o que aconteceu na clínica onde estava internado, Haller precisará enfrentar os seus demônios, e descobrir se as vozes e os poderes que acha ter são reais ou se são frutos de seu distúrbio.

A série se destaca inicialmente pelo sua narrativa, que já começa se mostrando não-linear e pouco convencional. Não tarda para que, daí, sejamos lançados em cortes rápidos de cenas, sob músicas de rock psicodélico e efeitos visuais interessantes. Se “Doutor Estranho” é um filme da Marvel sob o efeito de LSD, “Legion” é o mais próximo de usar maconha no DCE em forma de série de heroi.

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Mesmo em seus momentos que mais flertam com a insanidade, as referências de “Legion” são muito claras. Desde a clínica psiquiátrica, que se chama Clockworks – provavelmente referenciando “Laranja Mecânica” -, passando pela co-protagonista, Syd Barrett, que tem exatamente o mesmo nome de um dos fundadores do Pink Floyd. Enquanto temos estes lembretes no texto da série, a trama em si remete a outros personagens com transtornos psicológicos; “Um Estranho no Ninho” e “O Iluminado” são referências que nos vêm à mente, nos mostrando não só que Jack Nicholson é um ótimo maluco, mas também que a série bebeu em fontes psiquiátricas para construir seu personagem. Denota-se, assim, o provável caminho que o personagem irá seguir.

Isso é um esforço racional do criador Noah Hawley – criador da excelente série “Fargo” – para distanciar o tom de “Legion” de outras séries de heroi, levando-a para além de X-Men. Embora já tenham afirmado que é inevitável que Charles Xavier faça aparições no futuro, Hawley demonstra buscar a fantasia que quer no meio da loucura; sempre que voltamos para o mundo real, este é duro e agressivo, contrastando com a surrealidade da mente de Legião.

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Noah Hawley, à esquerda, e o ator protagonista, Dan Stevens.

Em seu piloto, é visível o esforço de “Legion” de imergir o espectador no mundo ilógico de Haller. Uma narrativa inicialmente confusa, efeitos visuais intensos e cenas improváveis nos mostram um vislumbre de como é estar dentro da mente de alguém tão psicologicamente perturbado como David. Resta saber se a insanidade de “Legion” se manterá ao longo de seus oito episódios, e se chegaremos ao final da série baseando-nos somente nela – se sãos, aí já é outra história.

 

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.