Primeiras Impressões: House of Cards – 4ª Temporada (2016)

É natural perder o fôlego com o tempo; a grande arte da renovação de si para prolongar a sua vida é para poucos. Quando falamos de uma série que é carregada por seus personagens principais, quando suas motivações acabam, é natural que a série também termine.

Ainda assim, Frank Underwood já é presidente dos Estados Unidos da América, e House of Cards estreia sua quarta temporada com uma quinta já confirmada. Para isso, a série aponta uma nova direção em seu primeiro episódio – e eu discuto a efetividade disso aqui, sem spoilers.

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Sabe o que também é abreviado como “F.U.”?

Não temos um “anteriormente em House of Cards”, então é recomendável que você leia aqui sobre a 3ª temporada antes de adentrar nessa*; não tarda para que aquele mundaréu de nomes, cargos e jogadas políticas complexas se iniciem. No centro – e por trás – deste tornado, o famigerado casal mais querido da televisão: Claire (Robin Wright) e Frank (Kevin Spacey) Underwood. O problema desta vez é que a tempestade que se assomou entre eles ao longo da temporada passada agora desaba sobre suas cabeças, indo cada um por seu caminho – conforme o final da temporada passada.

Com isso, temos um começo de temporada menos drástico, focando em como Frank lida com a ausência de sua cara metade muito mais simpática no meio de sua campanha, enquanto a mídia especula o que aconteceu com o Primeiro Casal dos EUA. Claire, por sua vez, tem um futuro próprio desenhado para si que, se não é afastado de Frank, ao menos é independente dele.

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Esta nova dinâmica é estranha e faz com que House of Cards perca força; um dos grandes trunfos da série era a relação maquiavelicamente simbiótica dos dois, e como assistir Frank e Claire se relacionando era como ver dois leões em sua vida na savana. Quando perdemos este elemento, a série acaba por depender mais da trama política, o que gera dois problemas: o primeiro é a complexidade, e o segundo é a questão do ritmo.

A complexidade do cenário político estadunidense, muitas vezes confuso para quem não é de lá, aumenta em sua relevância de personagem próprio – um personagem pouco carismático para nós, estrangeiros. Já o ritmo é parte da escolha da Netflix em não se preocupar com fazer episódios que deixem ganchos, visto que grande parte de (nós, os felizes perdedores) seus assinantes assistirá a série em formato maratona (ou binge watching).

Todos os primeiros episódios de temporada de House of Cards foram marcantes –  principalmente o começo da segunda temporada. O início deste quarto ano, por outro lado, não faz muito mais do que apontar a direção que a série quer desbravar agora. Fica a questão de se ela conseguirá instigar esse pressuposto anseio por mais episódios no futuro; o fato é que eu assistirei com gosto de qualquer forma. “House of Cards” sem fôlego ainda respira melhor do que a maior parte das séries em seu ápice.

 

*Embora não inserido na série, na parte de “trailers e vídeos” da série temos um resumo das temporadas anteriores. Se quiser uma visão aprofundada, vale a visita.

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.