Primeiras Impressões: Fear the Walking Dead (2015)

Você não precisa ver muitos episódios de “The Walking Dead”, série que originou este spinoff (série derivada), para perceber que ela não é sobre zumbis. Na curta primeira temporada, o contexto do apocalipse zumbi ainda recebe algum foco, mas do segundo ano da série dos mortos-vivos em diante já ficou óbvio que a sua temática principal é a natureza humana e como ela lida com tempos de crise e ausência de amarras sociais. Com mais coragem, a franquia, agora em “Fear the Walking Dead”, nem se dá ao trabalho de fingir que é sobre zumbis: temos um drama familiar onde os canibais do título são um pano de fundo.

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O piloto nos gira em torno das famílias Clark e Manawa e o quão disfuncional elas são. Madison Clark e Travis Manawa são conselheira e professor de inglês, respectivamente, da mesma escola e estão noivos. Nick e Alicia Clark, filhos de Madison, são opostos: Nick está lutando contra um profundo vício em drogas, enquanto Alicia ambiciona ir para Berkeley. Travis também tem seu filho, Chris, que prefere ficar com a mãe Liza Ortiz do que com o pai por considerar que este o trocou por sua nova família. E aí aparecem zumbis.

Fear-the-Walking-Dead-zombie-girlfriendPara ser sincero, aparecem zumbis, “pero no mucho“. Dá para contar nos dedos o número de “walkers” neste primeiro episódio, e é compreensível: a premissa da série é exatamente mostrar o mundo – mais precisamente a cidade de Los Angeles – no início do contágio, com uma sociedade ainda funcional, e degradá-la a partir daí. Para que esse objetivo seja alcançado, é preciso que os personagens tenham boas histórias e sejam carismáticos o suficiente para segurar a atenção da audiência, e nisso o é piloto instável. Ainda assim, a série mostra notar isso: sempre que os personagens começam a ficar desinteressantes, zumbis aparecem – ou na nossa tela ou nas telas de televisão e celulares.

Com esta cadência, a condução do episódio fica bem bacana. É exatamente quando ela tenta ser mais do que é que ela fracassa; o velho clichê, por exemplo, de que tudo o que os professores ensinam naquele dia de aula de alguma forma se relaciona com o que está por vir, como uma base filosófica para o horror vindouro, soa mais forçado do que de costume, e é entediante.

FTWD-Wallpaper-Cast-Composite-1024x768A parte técnica está impecável, com a segurança de uma equipe que já sabe o que está fazendo. As maquiagens estão ótimas como sempre; a fotografia consegue se manter sóbria e sinistra mesmo durante o dia na ensolarada Cidade dos Anjos; as atuações não têm tempo suficiente para realmente se garantirem, embora Frank Dillane, que interpreta Nick, consiga segurar a barra que é interpretar um depende químico com competência.

Cliff-Curtis-Kim-Dickens-Frank-Dillane-Fear-the-Walking-Dead-PilotComo um todo, para alguém que enjoou da fórmula de “The Walking Dead” no início da quarta temporada, “Fear the Walking Dead” traz um frescor interessante. Claro, ainda estamos no primeiro episódio da temporada, e o ritmo e abordagem da série podem mudar consideravelmente ao longo de sua exibição – até como uma maneira de se distanciar saudavelmente da série original cada vez mais. De qualquer forma, embora interessante em alguns momentos, o drama das famílias envolvidas não é o prato principal para os fãs de zumbis. Assim como as criaturas mitológicas aqui reinventadas, a audiência quer sangue – coisa que “Fear the Walking Dead” maneirou consideravelmente em sua estreia, embora ainda mostrando a que veio.

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.