Primeiras Impressões: Agent X (2015)

Seria ótimo ter um 007 na TV. Já pensou? Acompanhar as aventuras de um agente secreto com garbosidade e elegância enquanto ele salva um mundo de algum maníaco estranho semanalmente? De alguma forma, foi daí que Agent X partiu – com foco para a palavra “partiu”. Misturando maçons e segredos antigos com uma trama de espionagem potencialmente simples, “Agent X” se torna uma salada confusa sem necessidade.

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A história se inicia quando a personagem de Sharon Stone (você leu certo), a senadora Natalie “Nate” Maccabee assume o posto de vice-presidente dos Estados Unidos, após seu sucessor ser eleito presidente. Em sua primeira noite em sua nova mansão, Nate descobre que a chave simbólica (com símbolos maçons!) da casa na verdade se encaixa no consolo da lareira (que tem escritos em latim!), abrindo uma passagem para uma sala secreta onde a Seção Quinta do Artigo Segundo da Constituição é guardado. Malcolm Miller, o Mordomo-Chefe da casa, revela à Nate que esta Seção secreta prevê que o cargo de Vice-Presidente possua um agente especial – o Agente X do título – que atuará com livre conduto em situações de crise. Logo na primeira noite, obviamente, uma crise se instaura, e cabe ao atual Agente X, John Case, resolver a situação.

150929-news-agent-xVocê consegue ver o potencial dessa série? Este “livre conduto” é basicamente uma “licença para matar”, e esse agente poderia muito bem ser 00X. Ele, inclusive, tem uma aura James-Bondesca que, embora discreta, flerta com a displicência calculada com a qual 007 lida com seus problemas.

A primeira e promissora sequência da série tem lutas interessantes e apresenta Olga, a capanga russa (“com amor”? “A espiã que me amava”?) com habilidades impressionantes – de verdade – e potencial de vilã. Incrivelmente sensual e ótima lutadora, Olga é de longe a personagem mais interessante do piloto da série, e seus momentos enfrentando John Case apresentam o ângulo mais magnético do programa.

maxresdefaultDaí somos apresentados à trama mais ridiculamente absurda e sem necessidade exibida nos últimos tempos. A tal Seção Cinco, que não está na versão oficial da Constituição, reza que a Vice-Presidente diretamente controla este Agente X para situações de crise, inclusive com o mordomo apontando “por que você acha que os Pais Fundadores deram tão poucas responsabilidades oficiais para o segundo cargo mais importante do Executivo?”

Porque é o vice! É um papel de articulação política – House of Cards já nos ensinou isso. A série pega essa justificativa completamente desnecessária e faz uso do nº2 da sacola de clichês de mistério: maçons. Logo na abertura, estremeci com o Olho que Tudo Vê, as pirâmides e as figuras dos presidentes. Qual é o papel destes elementos em uma série de espionagem clássica?

Nenhum, aparentemente. Para amparar uma história que não precisa de suporte; agentes especiais com licenças – embora não oficiais – para matar há aos baldes no entretenimento. De Splinter Cell a Ethan Hunt, nenhum deles jamais precisou de outro motivo que não, no máximo, uma agência especial secreta. “Agent X” gasta tempo de tela criando perguntas irrelevantes e dando toques imbecis – como a “discreta” câmera do Agente X: um pingente enorme em formato de pirâmide com o Olho que Tudo Vê. O singelo objeto está na lapela de seu terno, para que o mordomo e a vice-presidente possam monitorar e acompanhar o agente – e, além disso, para evitar, você sabe, ter que desenvolver os personagens e dar a eles algum propósito além de assistir o que o outro está fazendo.

agent-x-tv-review-tnt.jpg w=670&h=377&crop=1E como disse, é na hora que “Agent X” abandona este lado irrisório da trama que o piloto anda. Jeff Hephner é um bom John Case, e nos dá um vislumbre de como seria um 007 interpretado por Chris Pratt. Sharon Stone tem pouco com o que trabalhar em termos de atuação, mas é competente no que se propõe. Em termos técnicos, “Agent X” é regular, sendo mais uma série na TV americana, neste caso no canal TNT.

De qualquer forma, este é um texto de primeiras impressões; séries podem tomar – e, por vezes, tomam – rumos completamente diferentes ao longo de sua exibição. Ainda assim, foi naquele material que os executivos resolveram apostar, de forma entendível: os estadunidenses tem essa tara com o próprio passado mítico, vide “A Lenda do Tesouro Perdido” (“National Treasure”, 2004), por exemplo. De qualquer forma, uma coisa não é segredo: “Agent X” pode ser uma ótima série se desistir de se emburrecer para conquistar seu público.

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.