PontoXP #1 – Cine Daros no Pátio

Ter uma vida dupla (de dois empregos, não aquele estilo legal de espião internacional) tem como uma de suas consequências chegar no último minuto nos lugares – e ontem, na abertura da 3ª edição do “Cine Daros no Pátio” (Casa Daros, Botafogo/RJ), não foi exceção. Ajeitando-me como pude após uma ligeira corrida, me apresentei à recepção e falei que procurava Maria Luiza Sacknies, Gerente de Comunicação e Eventos da Casa Daros, para uma entrevista sobre o evento. Abaixo está nossa cobertura em vídeo, e em seguida o nosso texto.

E que evento. O “Cine Daros no Pátio”, em sua terceira edição, traz cinco animações de renome internacional para exibição gratuita com capacidade para 600 pessoas por sessão; o filme que abriu o evento ontem foi o clássico de Hayao Miyazaki “Meu Amigo Totoro”, de 1988. Dentre os demais escolhidos, o famoso “Persépolis” e o brasileiro “Uma História de Amor e Fúria” destacam-se para o público. A mostra, que segundo Sacknies tinha como objetivo trazer “um público que ainda não frequentava o espaço, que pudesse vir por meio do cinema conhecer o espaço e o centro cultural, e por meio dele se integrar nas artes visuais latino-americanas”, selecionou os filmes tendo como critério crucial desta escolha a qualidade dos mesmos. Quanto à seleção, Sacknies comenta: “[os filmes] foram escolhidos pela qualidade, pelo diálogo que eles fazem entre si; são animações produzidas nos últimos 20 anos”, com a proposta de trazer filmes de “várias regiões”: quatro continentes estão representados pelas animações.

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Poster de “Meu Amigo Totoro” (“Tonari no Totoro”), filme que abriu a mostra.

Distribuídos pelo ambiente e pela lanchonete, carrinhos de pipoca e refrigerante dividem espaço com garrafas de vinho e salgados folhados; no pátio em si, cadeiras reclinadas oferecem ao público um conforto não encontrado em muitos cinemas – e para os mais desastrados (como eu), as mesas disponíveis auxiliaram bastante nos comes e bebes.

Mas o principal certamente não estava na bombonière. Foi somente os primeiros acordes da música de abertura de “Meu Amigo Totoro” começarem para todo o pátio mergulhar em um silêncio absorto. De crianças a senhores e senhoras, o encanto pelos personagens em cena foi imediato e qualquer sussurro ou comentário era passível de olhares graves – o que é divertido, visto que ambas as ações são inevitáveis em qualquer lugar que se esteja vendo um filme.

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Como um todo, a experiência foi imensamente satisfatória; não recomendamos, talvez, chegar com fome ao local. As opções de comida não são imensas, enquanto as filas o são. De qualquer forma, aqui o espetáculo é o filme e a forma como ele é apresentado: com o céu noturno carioca funcionando como uma moldura para a grande tela. Quando o som nos envolve, graças também à fantástica acústica do pátio, é fácil esquecer que estamos em um dos lugares mais movimentados do Rio de Janeiro, e não em uma fazenda no Japão.

Durante o Cine Daros, o mundo é nosso pátio.

Clique aqui para ver a programação dos próximos dias.

IMPORTANTE! Nossa cobertura em vídeo do evento vem à galope, bem como a entrevista com Maria Luiza Sacknies.

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.