Coluna | Pontoshort #05: Quando eu crescer

Olá, nossa coluna sobre curtas-metragens está de volta. Depois de transitar sobre vários temas – até sobre a paralisia do sono -, hoje iremos falar sobre a criança como filho (a) e o quanto ela é importante para os pais com o curta “Quando eu Crescer”. Preparados ou não, lá vou eu.

Quando eu crescer (2016)

“Em verdade vos digo que se não vos converterdes e fizerdes como uma criança, de modo algum entrareis no reino dos céus”. – Mateus 18:3

Porque é tão bom ser criança? Talvez por tamanha pureza, facilidade em perdoar ou até mesmo pelos problemas da vida não parecem tão reais e não serem a realidade para algumas. Dentre muitas experiências, quem nunca imaginou ou disse o que queria ser quando crescer? Médica, veterinário, fotógrafa, cozinheiro, costureira, modelo, jogador de futebol e muitas outras profissões. E esse anseio fica cada vez mais fascinante quando é possível olhar para o adulto (ou melhor, seus pais) e saber que o que eles fazem pode ser um exemplo inspirador do seu sonho.

O tempo passa e aquela perspectiva tão viva e real que tínhamos, parece mudar por conta das novas experiências que ganhamos, e percebemos que para conquistar o que sonhamos tem que passar por um longo processo, não fácil, mas possível de se superar.

quando eu crescer

No curta “Quando eu crescer”, Thiago é casado com Fernanda, os quais tiveram uma filha juntos. Apesar de tudo parecer ir tão bem, Thiago, que também professor do ensino fundamental, é um homem adulto insatisfeito com a vida que tem. Amargurado, acredita que não alcançou tudo o que almejava e tampouco dá para a sua esposa e filha tudo o que pretendia. Com isso, Thiago despeja sua infelicidade constantemente em sua filha, a qual carece de um momento de lazer com o pai. Além da filha, Thiago acabou sendo um percursor de negatividade para os seus alunos, passando a ideia de como é ser ruim ser adulto. Altas responsabilidades, cansaço, contas para pagar e o estresse tornam a tão sonhada vida adulta um peso.

Incomodados pela postura de Thiago, os alunos contestam o porquê da sua infelicidade, sendo que ele tem tudo para ser feliz. Inconformados por não aceitarem que ser adulto é tão ruim quanto ele diz, os alunos insistem na possibilidade de que a vida adulta deve ter algo bom. Como forma de contrariar a sua turma, Thiago então resolve passar uma breve apresentação em duplas, a qual os alunos devem citar cinco razões pelas quais é bom ser adulto na visão de uma criança. O que ele não esperava era que seria levado a refletir sobre o seu papel como pai e como tem se comportado para com a sua filha.

Assista ao curta “Quando eu crescer” abaixo.

“Quando eu crescer” é um curta-metragem da produtora gospel Purpose Films. É baseado numa passagem bíblica na qual Jesus advertiu que se quisermos herdar o reino dos céus, teremos que ser como crianças. A delicadeza e olhar com o qual Mauricio Bettini trabalhou, foi de intensa simplicidade e excelência perante a reflexão traçada. Como crianças, ora obedecemos nossos pais, ora queremos desobedecer para fazer o que pensamos, mas em algum momento iremos voltar porque sabemos que a repreensão não é por nenhum mal, ao contrário, retém a intenção de nos proteger.

Além disso, olhamos para os adultos, sejam os nossos pais ou não, e vamos criando expectativas e aprendendo com eles. Quer queira, quer não, os adultos são exemplos. O que Thiago estava se deixando esquecer é que um dia também foi uma criança, e já esteve ali no lugar de cada uma. Passou pela ansiedade por causa pequenas coisas. E, como qualquer outra criança, já foi curioso, observador e indagador. Já quis atenção, foi chato, dengoso, chorão e carinhoso. Apesar de um dia ter sido uma criança, por ter um presente diferente do esperado e se apoiar na frustação, Thiago estava esquecendo de ser exemplo para as crianças que estão semeando o futuro, como também estava deixando de aproveitar o maior presente que poderia ter do que uma vida planejada: a sua filha.

 


Entre no nosso grupo secreto no Facebook e no grupo do Telegram para interagir com autores dos textos e outros leitores.

The following two tabs change content below.

Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.