Coluna | Pontoshort #06: O Presente

Olá, pessoas, há quanto tempo não nos vimos aqui na nossa coluna quinzenal, não é mesmo? Bom, acredito os quatro meses que passaram não foram pouca coisa, mas o Pontoshort está de volta com o capítulo seis. Nesse novo texto, iremos visitar um curta de animação, “O Presente”. Talvez a película não seja desconhecida para você, mas o curta com menos de cinco minutos de duração tem muito a mostrar em simplicidade. Sem mais delongas…

o presente

Título: O Presente (“The Present”)

Dirigido por: Jacob Frey

Ano: 2015

Estrelas: 5/5

 

O Presente (2014) – A empatia pode mudar o quadro

Lançada em 2012, a tirinha (que você lê aqui) brasileira “Perfeição”, desenhada por Fábio Coala, recebeu uma adaptação em formato de curta-metragem por Jacob Frey, em 2014, que foi exibido em mais de 180 festivais e recebeu mais de 50 prêmios. A diferença entre uma obra e outra é que a tirinha tem mais diálogos, enquanto o curta deixa as imagens passarem a mensagem.

O enredo de “O Presente” é simples. Nele acompanhamos uma mãe chegando em casa, e enquanto o seu filho está sentado no sofá jogando videogame, ela o entrega uma caixa de papelão grande dizendo conter um presente. O garoto, no primeiro momento, se anima por ganhar um presente, ainda mais quando se trata de um cachorro. A animação dele vai embora quando percebe que o filhote de cão é deficiente de uma das patas.

Assista a versão dublada do curta-metragem

A partir daí, o garoto despreza o cachorro jogando-o no chão (o que abre espaço para que julguemos sua atitude como preconceituosa). Nisso, o cachorrinho avista uma pequena bola vermelha e começa a chamar a atenção do jovem para brincar, mas o garoto tenta a todo custo ignorar o cachorro ao mesmo tempo que não consegue desviar os olhos da fofura do animal.

Até que, ao não aguentar mais, ele decide ceder à vontade do cachorro e se levanta para brincar. Daí, uma revelação acontece (antes através do olhar do cachorro para o seu novo dono) ao vermos o jovem andar de muleta: percebemos que ele não tem uma parte de sua perna esquerda.

O curta se finda de maneira que nós somos obrigados a rever o seu ensinamento através da simplicidade e empatia. Indo para os detalhes, é válido apontar algumas ressalvas. A primeira delas é que depois que a mãe entrega o presente, ela deixa o seu filho sozinho na sala para que descubra o que acabara de receber. A segunda ressalva é observar o cenário de ociosidade do garoto ao vermos coisas espalhadas em cima da mesa de centro. Começamos a nos conectar com a curiosidade do menino para também saber do que o presente se trata.

A terceira ressalva é analisar o porquê de ganhar um cão. O garoto até que desprende a atenção do videogame um pouco, mas depois desiste da distração e volta a aproveitar o brinquedo. A quarta e última ressalva é que, se atentarmos para quando a animação foca no cachorro e olharmos para as pernas do jovem (desfocada no fundo), é possível perceber que há algum problema com a sua perna.

É incrível como “O Presente” testa as nossas impressões e passa muitas interpretações nessa simples história. Talvez o garoto tenha entendido o presente de sua mãe como afronta, ou talvez tenha pensado que o cachorrinho também era deficiente e não iria mudar em nada o quadro de sua invalidez. Talvez a sua mãe tenha esgotado todos os meios de conversa e de ajuda, mas ao olhar para o cão e trazê-lo para casa, sabia que, de alguma forma, aquele animal, mesmo fisicamente imperfeito, cativava com a alegria que transmitia e não se prendia às próprias limitações.

A perfeição se aplica quando descobrimos que podemos superar as dificuldades e nos sentimos completos quando somos compreendidos. Não sabíamos antes, mas enquanto o garoto olhava o cão a brincar, também observava a determinação e força do bichinho, assim como aprendia a olhar além do que o deixava infeliz. Através da empatia, ele e o animal fazem a ponte para encontrar a liberdade.

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.