Pontoshort #04: Paralisia

Olá, depois de uma breve pausa, estamos de volta para a nossa coluna quinzenal sobre curtas-metragens. Aqui, nessa quarta pauta, iremos voltar a trazer o terror, com o porém de que se trata de um curta de terror brasileiro intitulado ‘Paralisia” disposto a abordar essa experiência horripilante que é a paralisia do sono. Sem mais delongas, vamos ao arrepio…

Título: Paralisia (“Dreaming”)

Ano: 2016

Dirigido por: Sávio Fernandes

Estrelas: 4/5

Paralisia (2016) – A experiência perturbadora da paralisia do sono

Dormir é uma coisa maravilhosa – só não é melhor do que comer -, seja num cochilo no busão – ah, como eu gosto -, no sofá ou até mesmo no cinema – não se assustem, mas também cochilo muito por lá. Mas a coisa é realmente boa quando você finalmente pode desabar em sua cama e acordar depois de algumas horas e se sentir descansado (a). Sendo uma necessidade ideal para qualquer pessoa, dormir traz seus aspectos entendidos como as cinco fases do sono: estágios 1, 2, 3, 4 e a fase REM.

O primeiro estágio se trata do estado em que sentimos a sonolência (referente à 4% a 5% da noite). O segundo é quando o sono está começando a ficar gostoso, ou seja, o ritmo cardíaco é reduzido, a temperatura do corpo cai e os músculos ficam relaxados (abrangendo 45% a 55% da noite). No terceiro estágio, é quando o sono começa a se aprofundar e deixa os batimentos cardíacos devagar e a respiração leve e lenta (ocupando 4 % a 6 %). O quarto estágio tem semelhança com o terceiro, porém dura cerca de quarenta minutos e o sono está bem mais aprofundado. Já a fase REM é a responsável pelos sonhos. Ocupando 20% a 25%, permite que o nível profundo do sono diminua pois é uma fase que ocorre quando estamos perto de acordar. Nessa fase ou quinto estágio é que entra a tão perturbadora experiência que é a paralisia do sono.

Não sei se você já teve a experiência – e se não teve, não queira ter -, mas a paralisia do sono se encaixa exatamente com aquelas situações bizarras que passamos que, até ao compartilhar, batem medo. Certa vez, fui tirar um cochilo de tarde e decidi pôr o travesseiro em cima da cabeça, mas depois de alguns minutos quis tirar o travesseiro, só que acabei me dando conta que não conseguia tirá-lo porque o item tão leve e confortável tinha se tornado pesado. Contei de um até três várias vezes na tentativa de tornar a tarefa fácil, pois sabia que se tratava apenas de um travesseiro, mas não adiantou. O nervosismo começou a tomar conta, porque não conseguia mexer o meu corpo e meu rosto estava virado para parede – e a tensão aumentando. Então, tive a ideia de tentar jogar o meu corpo para fora da cama. Um, dois, três e nada. Mais uma vez, e sem sucesso. De repente, consegui mover meu corpo e o travesseiro caiu próximo ao meu rosto quando levantei a cabeça e consegui parar o corpo antes de cair totalmente da cama. De todas as vezes que tive a paralisia, essa foi a pior.

foi mais ou menos assim…

A paralisia do sono se define pela momento em que a pessoa sente uma paralisia temporária no corpo antes de adormecer ou após acordar, podendo ser experimentada também, em alguns casos, com a alucinação. A perturbação começa quando o indivíduo percebe o estado em que se encontra. A imobilidade acontece antes do adormecer ou depois de acordar e é quando a pessoa consegue exercer controle apenas sobre a respiração, olhos e boca (mas sem poder dar nem um pio). Esse tipo de paralisia ocorre também durante o sonho, quando o cérebro paralisa o corpo para evitar possíveis lesões. Já com as alucinações, pode ocorrer que a pessoa confunda com o sonho que teve e, nos piores casos, há quem diga ter sentido um peso sobre o peito, o espírito sair do corpo ou sentir o corpo flutuar.

No curta de 2016, realizado na LaBoMíDia (Laboratório Audiovisual e Novas Mídias de Fortaleza) e produzido coletivamente na disciplina Lab. Experimental II, ministrada pelo professor Glauber filho, “Paralisia”, se propôs a adentrar com maestria e competência no terror noturno chamado paralisia do sono. A abordagem aqui foi objetiva, porém com uma narrativa inteligente e muito bem conduzida, capaz de rapidamente envolver o espectador.

Carol (Gabriela Guerra) é a protagonista da história e o curta já se inicia nos colocando a par de como ela se encontra: cansada fisicamente e emocionalmente, exausta por ter o seu período de descanso frustrado pela paralisia do sono. O pior é que a paralisia não ocorre de maneira periódica, deixando-a descansar em seguida. O que a deixa não só a certeza, como cicatrizes para provar que a perturbação noturna fugiu do controle e não se trata de uma fase comum que ocorre com todo mundo, mas que a figura negra (chamada de “Sombra”) que surge durante a noite é real e quer matá-la.

Assista ao curta “Paralisia”

 

Ela até que tentou conversar com o seu médico, Jorge (Daniel Cunha), mas o que teve como resposta foi a incredulidade de um profissional que acreditava que a paralisia de Carol não estava fora do comum, então apenas receitou um remédio mais forte para que conseguisse dormir facilmente. Cada vez mais consumida pelo cansaço e o medo de dormir, a rotina de Carol é invadida pelos cochilos inoportunos e a sensação de que em qualquer lugar que esteja dormindo a figura negra vai tentar contra a sua vida, até que foi vencida pela alucinação.

paralisia
Jorge, o médico de Carol.

“Paralisia” se destaca por ser excelente e transitar tão bem sobre as teorias e observações sobre a paralisia do sono. Afinal, trata-se apenas de uma fase que todo mundo deve experimentar algum dia? Vai muito além do que pode ser explicado fisicamente e há fatores espirituais externos presentes na paralisia do sono? Seja como for, a teoria que convence mais é que “Paralisia” é um ótimo curta de terror brasileiro.

*

Últimas observações:

Paralisia 1: A figura negra me fez lembrar da entidade demoníaca do filme “Quando as Luzes Se Apagam”. Teria o ator Felipe Saraiva superado os traços de Alicia Vela-Bailey interpretando Diana no longa?

Paralisia 2: Os relatos no final do curta foram bizarros ao extremo.

Paralisia 3: Referências a https://pt.wikipedia.org/wiki/Paralisia_do_sono e https://www.bedtime.com.br/blog/curiosidade-do-sono/quais-sao-as-fases-do-sono/


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.