PontoBR #09 – Céu: sem medo da diversidade

Filha de um maestro com uma artista plástica, a música esteve presente na vida de Céu desde muito cedo. Assim, nada mais natural que ela decidisse, aos 15, que iniciaria uma carreira musical. Um começo cantando até jingles publicitários acabou levando Céu a Nova Iorque, onde teve vários trabalhos não musicais. Nessa época ela conheceu um primo distante que possibilitou que ela gravasse seu primeiro álbum: CéU.

Céu

Hoje, Céu está em seu quarto álbum, recebeu inúmeras indicações para prêmios, vendeu muitos discos e ganhou notoriedade na cena sob o rótulo de cantora da nova MPB, embora um pouco a contragosto, já que ela mesma diz que seu som é fortemente influenciado por música brasileira, mas não apenas. Indo de referências como o samba e ritmos regionais do Brasil misturados ao reggae, disco e diversos outros estilos, a música de Céu é extremamente dinâmica e original. Isso se mescla muito bem ao vocal doce em letras que vão do romântico ao psicodélico. Em três discos da Céu para estarmos por dentro da discografia da moça, deixei de fora o Vagarosa. Mas, certamente, falarei dele em outra oportunidade.

CéU (2005)

Céu
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Este foi o disco de estreia dela e, apesar de não muito polido, aponta vários caminhos interessantes pelos quais a moça iria trilhar. Uma característica já contida aqui, e desenvolvida nos outros trabalhos, é que Céu gosta de variar bastante nos estilos usados. Assim sendo, destaques para esse som são “Lenda”, “Malemolência”, “Concrete Jungle” (cover de Bob Marley) e “Bobagem”.

Caravana Sereia Bloom (2012)

Céu
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O terceiro disco de Céu também é bastante variado e tem vários momentos marcantes. Como dito, diversidade nunca foi um problema para a cantora, então as músicas são, muitas vezes, completamente destoantes. Destaques vão para, “Amor de Antigos”, “Contravento”, “Palhaço” (versão de Nelson do Cavaquinho) e “Chegar em Mim” com sua letra instigante e melodia hipnótica.

 

Tropix (2016)

Céu
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Assim como os outros discos, Tropix é bastante variado. Porém, é visível que aqui Céu encontrou um jeito de manter uma unidade maior entre as músicas e isso fez com que suas influências ficassem evidentes enquanto sua originalidade despontava. Destaques vão para as quatro primeiras faixas, “Perfume Invisível”, “Arrastar-te-ei”, “Amor Pixelado” e “Varanda Suspensa”. Além delas podemos chamar atenção para “Chico Buarque Song” e “A Nave Vai”.

Certamente, Céu é uma artista de agora para vermos e ouvirmos durante muito tempo ainda.


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