PontoBR #06 – Cássia Eller: A Força de uma Interpretação

Cássia Eller foi um ícone meteórico na música brasileira. Infelizmente, ela nos deixou muito rápido, mas sua obra é extensa e riquíssima em todos os aspectos. A carreira de Cássia Eller começa ainda muito jovem, pois desde criança ela já se envolvia com corais e apresentações musicais. Antes de chegar ao estrelato, Cássia chegou a cantar num grupo de forró e também tocou surdo num conjunto de samba. Nada mais natural, visto que ela passou parte da infância e adolescência viajando pelo Brasil, indo do Rio de Janeiro (cidade natal), para Belo Horizonte, Pará, passando por Brasília e voltando ao Rio de Janeiro.

Cássia Eller

A variedade musical é visível no trabalho dela, apesar de a verve rock n’ roll ser muitíssimo presente e comumente a personalidade de Cássia Eller é ligada ao estilo gringo. Mas não se assuste ao ver a artista interpretando grandes nomes da MPB e do Samba ao mesmo tempo em que faz covers de Jimi Hendrix e Nirvana, o que deu a ela uma estética musical completamente diferente. Assim, vamos aos três álbuns para conhecer Cássia Eller.

Cássia Eller (1994)

Cássia Eller
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Este foi o segundo disco homônimo de Cássia, o primeiro não fez muito sucesso, apesar de mostrar muito potencial e um cover em reggae super interessante de Eleanor Rigby dos Beatles. O segundo disco de Cássia, Marginal, também não obteve sucesso e acabou que foi com Cássia Eller que a cantora começou ter o reconhecimento que sua voz merecia.

Cássia era reconhecidamente uma intérprete, ao longo de toda sua carreira, assinou apenas três músicas que gravou. Entretanto, suas interpretações sempre chamaram atenção por ter um tom tão pessoal, que parecia que a música era realmente sua. Como diria Nando Reis, parceiro de composição, produção e grande amigo de Cássia, “O tom que eu canto as minhas músicas na tua voz parece exato”.

Os destaques do disco vão para Malandragem, que se tornou um hino das rodas de violão, E.C.T1 de Julho, música que tem relação muito profunda com a maternidade de Cássia, Na Cadência do Samba, mostrando variedade e versatilidade do repertório. Indo do samba ao baião, Coroné Antônio Bento, em seguida Metrô Linha 743, cover memorável de Raul Seixas, Música Urbana 2, outra de Renato Russo, assim como 1 de Julho e, por fim, uma interpretação memorável de Pétala, do Djavan.

Com Você… Meu Mundo Ficaria Completo

Cássia Eller
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Cássia teve a ideia de gravar um disco mais “ameno”, talvez menos rock e aí saiu essa obra de arte. Para esse disco, Cássia teve composições de grandes nomes da MPB para interpretar, Caetano Veloso e Marisa Monte, por exemplo.

O disco abre com outro hino das rodas de violão (e dos memes na internet), O Segundo Sol, que é uma excelente canção, apesar de excessivamente massificada. E o ritmo acelera um pouco com Mapa do Meu Nada. Em seguida, somos presenteados com Gatas Extraordinárias, música de Caetano Veloso que ganhou graça e uma extensão vocal impressionante na versão de Cássia Eller.

 

Como últimos destaques, podemos colocar as canções de Nando Reis, o swing de Meu Mundo Ficaria Completo (com Você) e a beleza e simplicidade de As Coisas tão mais Lindas. Um último destaque do disco vai para Palavras Apenas, que acabou virando hit na novela Da Cor do Pecado.

Dez de Dezembro

Cássia Eller
Esse não tem no Spotify 🙁

Este último disco saiu em 2002, após a morte de Cássia Eller. O álbum traz registros, em sua grande maioria, inéditos da cantora, prova da enorme relevância que ela teve para a música, e também da falta que ela faz.

Os destaques do álbum vão para No Recreio All Star, ambas composições de Nando Reis que eram inéditas até então, o molejo da crítica social de Eu Sou Neguinha, outra música de Caetano que Cássia Eller fez sua. O forte sentimento de Nada Vai Mudar Isso.

Por fim, as interpretações únicas de Little Wing, de Jimi Hendrix, e Vila do Sossego, Zé Ramalho e, para fechar com chave de ouro, numa performance ímpar, Só Se For a Dois, de Cazuza.

Vale mencionar ainda dois discos muito interessantes para conhecer Cássia Eller, grande admiradora de Cazuza, ela gravou uma coletânea de covers do cantor chamada Veneno Antimonotonia e, não para esquecer, o Acústico MTV, que é simplesmente incrível!

“Leva o mundo, que eu vou já“, como diria a Cássia. Dessa vez a gente fica por aqui, e se vocês quiserem ver algum artista aqui, mandem nos comentários que a gente com certeza vai atender.

 

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