Ponto dos Bananas: O Terrível Cool do Rei

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Quem leu Cujo, de Stephen King, dificilmente vai esquecer do livro. Ironicamente, quem não lembra de tê-lo escrito é o próprio King. Ele conta em suas memórias que nessa época estava tão bêbado e drogado que não sabe como o livro ficou pronto. Stephen King, como todo mundo sabe, escreve principalmente livros de terror. Quando perguntam por que prefere contar esse tipo de história, ele diz “E quem diz que eu tenho escolha?”.

King superou as drogas e o álcool. Abraçou a vida saudável, o que incluía exercícios e caminhadas. Como em seus livros mais tenebrosos, foi em um desses passeios que ele foi atropelado e quase morto em 19 de Junho de 1999. O que veio depois foi um processo doloroso e quase insuportável de recuperação. Mas, como os fantasmas de seus livros, King se recusa a sair de cena.

Um de seus mais recentes trabalhos virou um excelente seriado de TV, marcando a nova fase de ouro do meio. Imagine um cruzamento de Mad Men com o filme Efeito Borboleta. Na série, chamada 11/22/63, um professor de literatura (como o próprio King foi) chamado Jake Epping (em um grande trabalho de James Franco) pode voltar ao passado e evitar o assassinato do Presidente John F. Kennedy.

Mas o passado descrito por King não é um elemento passivo. Ele reage com violência e combate aqueles que tentam mudá-lo. Além disso, há o eterno problema: será que foi realmente Lee Harvey Oswald o assassino? E se ele for inocente, matá-lo não vai mudar a trajetória da história. A única solução é grudar em Oswald e tentar montar o quebra cabeça mais fascinante da história americana.

A história parece pouco original? Bem, nenhuma das narrativas de King parte de caminhos novos. O lugar mal-assombrado de O Iluminado. A garota alucinada de Carrie.

E isso não importa.

Com ele, não é sobre a originalidade da trama. É sempre o caminho que ele escolhe seguir.

E ele sempre escolhe o pior caminho. Pior para os personagens – o que é sempre o melhor para nós, os leitores.

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Esse texto humorístico foi publicado originalmente na sessão Cool de “A” a “Z” do site República dos Bananas.

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O texto anterior da República dos Bananas sobre a Carreta Furacão

E também o que já analisamos de O Iluminado, filme e livro e da recente adaptação de Carrie.

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