Ponto dos Bananas: O Filho de Dean Martin com Sir Mix-A-Lot: Richard Cheese

Enquanto vocês discutem se gostam ou não de “Batman vs Superman: A Origem da Justiça”, estão deixando de lado o que para mim é o principal. Quando Bruce Wayne e Clark Kent se encontram na festa de Lex Luthor pela primeira vez, a música ao fundo é o clássico dos clássicos, “Night And Day”, de Cole Porter. Em outra cena pivotal (“pi-vo-tal”. Sempre quis escrever pivotal), há outra canção de Cole Porter: “Ev’ry Time We Say Goodbye” (Preste atenção: a frase reaparece quase no final do filme).

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Ambas são interpretadas pelo mesmo artista: Richard Cheese, um improvável cruzamento do Rat Pack de Sinatra (integrado pelo próprio Frank, Dean Martin e Sammy Davis Jr.) com Snoop Dogg e Sir Mix-A-Lot. Não é a primeira vez que o diretor Zack Snyder trabalha com Cheese – ele usou a versão do cantor de “Down with the Sickness” (da banda Disturbed, nada menos) no filme de zumbis “Dawn of the Dead”, de 2004 (e, para mim, ainda sua melhor realização cinematográfica).

“Richard Quem?”, você deve estar se perguntando.

Bem, obrigado por perguntar.

Richard Cheese é o nome artístico de Mark Jonathan Davis, comediante americano que vem se dedicando a gravar grandes sucessos do rap, do metal e do rock em ritmo de… lounge music!!! O nome Richard Cheese faz um trocadilho infame com esmegma (se é que é possível outro tipo de trocadilho envolvendo esmegma. Cheese é queijo. E Dick é um dos muitos nomes do órgão sexual masculino), mas o mau gosto da piada não reflete a musicalidade e o talento do cantor. Com uma pitada de jazz, Cheese torna possível ouvir calamidades como “Rape Me”, do Nirvana; “Baby Got Back” de Sir Mix-A-Lot ou a indescritível “Me So Horny”, perpetrada pelo 2 Live Crew.

Sobre Cheese, Snyder escreveu no site da MTV em 2008: “Para quem não conhece, Richard Cheese (também conhecido como Dick Cheese) é um cantor e comediante de Los Angeles. Ele e sua banda de covers, Lounge Against the Machine (com Gordon Brie, Frank Feta e Bobby Ricotta), passaram os últimos 10 anos sacaneando as canções pop que assaltam nossos ouvidos diariamente, cada vez que ligamos nossos rádios. Não me interpretem mal, eu tenho meus próprios guilty pleasures musicais (não pense por um segundo eu vou divulgá-los aqui), mas nunca deixa de me surpreender o leque de músicas que pode subir para o topo das paradas e ficar lá por um tempo indeterminado, algumas oferecendo quase nada de substancial, enquanto outras são destinadas a se tornarem futuros clássicos. Richard Cheese parece ter um fascínio semelhante com o bom e o mau que surfam nas ondas do rádio. Ele se recusa a aceitar passivamente a pompa, a atitude, a emoção, os acordes, a aliteração e – às vezes – o puro absurdo da música de hoje pelo seu valor de face. Abrangendo tudo – desde “Rape Me” do Nirvana até a trilha do seriado de TV “Three’s Company” – ele escolhe abraçar estas músicas gravando versões hilariantes (e, na minha opinião, geniais) em estilo lounge”.

Eu, da minha parte, endosso 100% a paixão de Snyder pelo swing de Cheese. Ele está no mercado desde o ano 2000, quando lançou o antológico “Lounge Against the Machine” – e já acumula mais de 20 álbuns, um melhor que o outro. Cheese desfruta de uma fama muito inferior ao seu talento. O diretor Zack Snyder está fazendo sua parte para mudar isso.
E eu, modestamente, ofereço minha contribuição.

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Esse texto humorístico foi publicado originalmente na sessão Cool de “A” a “Z” do site República dos Bananas.

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