Resenha: Personal Shopper (2016) – a letargia de Kristen Stewart funciona

Este texto pode conter leves spoilers de “Personal Shopper”, isso depende do seu grau de spoilerfobia.

personal shopper

Título: Personal Shopper (“Personal Shopper”)

Diretor: Olivier Assayas

Ano: 2016

Pipocas: 6,7/10

Kristen Stewart. “O Quarto do Pânico”, de 2002, e “O Silêncio de Melinda”, de 2004, são exemplos de títulos que mostram o início curioso da carreira da atriz investindo em películas voltadas para o drama e o terror.  Mais tarde, trabalhos envolvendo os gêneros de drama, terror e fantasia continuaram a fazer parte de seus papéis, contudo, em 2008, foi lançada a adaptação que marcaria a sua carreira: Crepúsculo, que eternizou Bella Swan em muitos corações.

Não importa que Bella seja lembrada quando o nome da atriz é mencionado, ou que ela continue investindo em ótimas personagens, uma coisa ainda persegue a sua imagem: a atuação apática e monótona em seus filmes. Seja como for, “Personal Shopper” é mais uma representação disso. É como se Stewart não estivesse à vontade ao interpretar a personagem.

personal shopper

Em “Personal Shopper” ela repetiu o trabalho ao lado do diretor e roteirista Olivier Assayas – do filme “Acima das Nuvens” (2014) que lhe rendeu o prêmio de melhor atriz coadjuvante no César Awards em 2015 – num suspense atípico, interessante, mas que deixa a sensação que faltou algo para complementar o seu feito.

Maureen Cartwright (Kristen Stewart) é uma assistente de compras (personal shopper) americana que trabalha em Paris, enquanto também é uma médium que sofre pela recente morte de seu irmão gêmeo, Lewis. No meio do luto, da rotina e do aparente trabalho que ela odeia, Maureen espera por um sinal dele na vida após a morte.

personal shopper

“Sabe quando dizem que os mortos cuidam dos vivos?”. Em um certo momento, essa questão é levantada em um dos diálogos do longa. “Sepultar os mortos; cuidar dos vivos; fechar os portos” se trata de uma metáfora muito usada, originária da frase dita por Marquês de Alorna. Significa algo como: deixar de remoer o passado, pensar no agora e fechar as brechas”. Olhando para Maureen, é uma questão que se aplica muito bem a sua história.

“Personal Shopper” é o tipo de filme que vai gerar incomodo. É lento, atípico, um filme em que é necessária muita atenção nos diálogos para entender as suas passagens e que não se preocupa em entregar respostas mastigadas para fazer sentido – o que, na verdade, não precisa. Assim como a espera de Maureen pelo sinal de seu falecido irmão, a sua vida profissional e rotina parecem levar para um só lugar onde residem a insegurança e as incertezas da protagonista, visto que ela possui dons que ainda não sabe dominar, além de esperar por algo que não sabe se acredita por completo.

personal shopper

O filme já se inicia apresentando o papel que a protagonista irá desempenhar e, ao mesmo tempo, atiçando a curiosidade sobre o suspense que está sendo desenvolvido. Se esperava por algo grandioso e de tirar o fôlego, esse não é a película correta, afinal, o que acompanhamos é a trajetória de Maureen, suas emoções, sensações, dúvidas, e fragilidades enquanto o terror fica em segundo plano. Mas vale ressaltar o cuidado de Olivier Assayas em manter o longa instigante, diante do quanto investe em meios inesperados para explorar o suspense e lançar perspectivas diferentes sobre a história e não parecer um filme que não sai do lugar.

Mesmo que pareça não ter sentido na forma de apresentar e contar a história de Maureen, tudo faz sentido no final. E a atuação de Stewart é um aspecto louvável aqui, visto o quanto a sua interpretação “apática” se encaixa de maneira excelente no papel de sua protagonista e transparece tão bem a complexidade, ainda que recorra para gestos e traços conhecidos da sua forma de atuar.

personal shopper

“Personal Shopper” é um suspense diferente que aposta em reviravoltas – apesar da tentativa, a sensação é que uma caixa de coisas ocas foi aberta enquanto tentava funcionar e cativar – e complementos inusitados para não ser um filme “acomodado”. Por fim, o filme fala sobre se desprender e se libertar dos sentimentos pelos quais no permitimos ser consumidos e daqueles que não deixamos ir.


E você, gostou do filme ou ele mereceu mesmo as vaias no Festival de Cannes em 2016? Nos conte nos comentários ou no nosso grupo do Telegram ou Facebook!

The following two tabs change content below.

Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.