Persona #02 – Madonna

“Não me considero um ato pop, me considero uma artista. E é da responsabilidade de um artista ser revolucionário em nosso trabalho. É ao mesmo tempo responsabilidade, dever e privilégio”

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Madonna sempre foi conhecida por suas polêmicas de cunho religioso e sexual. A artista sempre levou para suas performances, vídeos, músicas toda sua ideologia, provocando muita revolta, por parte de uns, e adoração por partes de outros. Muitas vezes a sua imagem provocativa é mais reconhecida do que sua própria música, o que causa muita discussão. A verdade é que poucos artistas dividem tanto a opinião das pessoas quanto Madonna!

Em 1990, no auge de sua carreira e provocações, Madonna viajava pelo mundo apresentando a turnê Blond Ambition Tour. A tour tinha como base os álbuns Like a Prayer (1989) e I’m Breathless (1990), trilha sonora do filme Dick Tracy, em que Madonna atuou ao lado de Warren Beatty, Al Pacino e Dustin Hoffman. A tour foi considerada pela prestigiada revista Rolling Stone como sendo “elaboradamente coreografada, extravagantemente sexual e provocativa”, além de ter sido premiada como turnê do ano pela mesma. Para quem não se lembra, essa turnê foi a responsável por popularizar a famosa imagem da Madonna com um rabo de cavalo e os corpetes com busto em formato de cones, criação do aclamado estilista francês Jean Paul Gaultier, de quem Madonna é amiga íntima.

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O resultado do processo de viagens e shows da Blond Ambition Tour culminou no famoso documentário Na Cama com Madonna. O filme mostra os bastidores da turnê, como a relação da cantora com sua equipe em geral; seu relacionamento com Warren Beatty; o seu encontro com Antonio Banderas, por quem ela tinha um verdadeiro crush (no futuro eles trabalhariam juntos no filme Evita); e também uma parte em que ela fala mal do ator Kevin Costner, culminando em sua chance perdida de estrelar o filme O Guarda Costas, papel que acabou ficando com Whitney Houston. Além disso, há a famosa cena em que Madonna, após brincar de verdade ou consequência com seus dançarinos (daí vem o nome americano do filme de Truth or Dare), simula sexo oral em uma garrafa. O filme mostra momentos bem intensos, como a falha no som em um show, que fazia com que o microfone da cantora não funcionasse, deixando-a enfurecida com a equipe técnica, mostrando um pouco de sua forte personalidade. E quando, no Canadá, ela foi ameaçada de ser presa caso fizesse a performance polêmica de masturbação na música Like a Virgin. Mas, como Madonna será sempre Madonna, ela não baixou a guarda e fez o show como planejado.

 

Muito da vida pessoal da cantora foi apresentado também. Entretanto, em 2008, o irmão dela, Christopher Ciccone lançou o livro A Vida com Minha Irmã Madonna, em que dizia que muita coisa ali mostrada era farsa. Segundo ele, a cena em que a cantora toma um prato de sopa e conversa com seu pai pelo telefone era uma mentira, e que não havia tanto tempo quanto ela afirmava que eles não se falavam. O pai, posteriormente, aparece em um show e Madonna o convida para subir ao palco. Outro momento que o irmão critica é quando ela vai até o cemitério onde a mãe está enterrada. Segundo Christopher, toda aquela ação é encenada e ele se recusou a participar daquilo. A mãe da cantora, que também se chamava Madonna, morreu quando a rainha do pop tinha apenas cinco anos de idade. Ela, durante maior parte do filme, afirma que essa falta da mãe fez com que ela tivesse apreço maternal por seus dançarinos, o que Christopher também diz ser um pouco de “teatro”.

Madonna é, sem sombra de dúvidas, a representação da auto-promoção. Toda sua obra é envolvida em temas polêmicos. Segundo ela mesma, fazer isso “abre os olhos” das pessoas em relação a seus preconceitos. A cantora usa sua própria vida e experiências para tornar questionáveis e reflexivos certos temas polêmicos. Dissociar sua vida e obra pode se tornar muito difícil em alguns momentos. Porém, julgar a vida artística dela apenas por suas polêmicas é a mesma coisa que julgar um filme por uma cena. Tudo é conceitual e interligado – faz sentido. O que importa, é que, no fim, realmente, nos sentimos na cama com Madonna, tendo momentos prazerosos e divertidos.

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