Perdidos no Espaço (2018) – o lado humano da aventura espacial

“Perdidos no Espaço” é uma das novas produções da gigante do streaming, Netflix, que tem aumentado seu catálogo mensalmente com algumas produções autorais. Dessa vez optando por desbravar o desconhecido, a série nos leva a acompanhar a família Robinson na maior escolha das suas vidas: viver em outro planeta.

Contém possíveis spoilers da série

Para entendermos um pouco mais sobre os motivos que levaram os Robinson’s a deixar a mãe Terra, é importante saber que houve um incidente que acabou trazendo níveis altos de radiação para o planeta, tornando assim a vida um pouco complicada – principalmente a longo prazo. Após alguns anos de pesquisas e de desenvolvimento, a Resolute foi criada para transportar famílias ou qualquer indivíduo que pudesse pagar e fosse aprovado após uma bateria extensa e bem criteriosa de testes. Quando finalmente se é aprovado nesses testes você obtém seu lugar em uma nave Júpiter – que são as naves individuais paras as famílias ou participantes pagantes do projeto – que seria como uma casa provisória, nada tão revolucionária, mas tem um visual bem bacana. Depois de deixar a Terra, a Resolute acaba se envolvendo em um acidente que levou a família Robinson a cair no planeta desconhecido – não, isso não é um spoiler.

O primeiro episódio, além de ser a nossa porta de entrada para esse universo, também serve para estabelecer um elo interessante entre o nosso relacionamento com os personagens, isso porque ele tanto é construído para aqueles que procuram uma série repleta de termos e soluções científicas para diversos tipos de situações que possam vir a acontecer – que não são poucas -, mas também começa a dar um caminho um pouco diferente do que algumas pessoas pudessem estar esperando. Digo isso porque desde o primeiro contato que tive com a ideia da série, imaginei que teríamos aquele velha e conhecida história sobre pessoas em um planeta repleto de criaturas e como sobreviver aquela situação. E, de fato, isso está, sim, presente na série, mas surpreendentemente – para mim pelo menos – eles optaram pelo lado mais humano da narrativa, que vamos falar melhor um pouco depois. Nesse episódio, ainda temos a introdução de um robô alienígena que chega dividindo opiniões entre os protagonistas da história e que acaba movendo quase que metade das grandes viradas que “Perdidos no Espaço” tem.

A série tem um clima muito agradável de se assistir, os diálogos são muito bem explorados e utilizados, o que nesse caso é de extrema importância. O cerne que une toda a narrativa durante os dez episódios da temporada não se limita ao fato de eles estarem em um planeta novo, perdidos e desconectados do resto da tripulação da Resolute, a construção dos personagem é baseada em relacionamentos. Estejam eles ligados a coisas que ocorreram ainda na terra antes da partida, ou em momentos vividos e compartilhados naquele novo lugar, a forma com que tudo está ali para gerar um crescimento em algum integrante da história, traz para série um lado muito positivo. Os conflitos não servem apenas para serem conflitos, mas para mudar algo junto dos personagens.

E por falar nos personagens, nós talvez estejamos falando da melhor porção de “Perdidos no Espaço”. A maior parte possui bastante carisma, em especial Don West (Ignácio Serricchio), Penny Robinson (Mina Sundwall) e Judy Robinson (Taylor Russell) – essa última acaba sendo um pouco menos cativante a princípio, mas se mostra uma boa personagem com o passar dos episódios, principalmente pelo arco traumático dela após a entrada no planeta novo. Os pais, John (Toby Stephens) e Maurren Robinson (Molly Parker), também conseguem nos dar bons momentos graças a atuação dos dois atores, que ficaram muito bem nos seus respectivos papéis.

Outro ponto bacana para ser destacado é que, de uma forma geral, todos os atores estão muito bem, com uma ressalva, mais uma vez, para Don, que rouba a cena em diversos momentos com seu estilo canastrão, e a Dra. Smith/June Harris (Parker Posey), que é muito bem interpretada e traz um equilíbrio bacana, já que ela é a verdadeira antagonista da história. Talvez a única personagem que tenha me deixado um pouco distante tenha sido Will Robinson – “Danger, Will Robinson” – interpretado pelo jovem ator Maxwell Jenkins que não conseguiu me cativar tanto quanto os outros personagens, tendo ele um dos arcos mais importantes – mas isso também pode ser algo particular meu.

perdidos no espaço

A distribuição dos episódios em “Perdidos no Espaço” também é muito boa. Cada um deles tem aquele sentimento de etapa, cada um tem seu próprio foco com um início, um meio e um fim. Mas, ainda assim deixando espaço para o que virá a seguir, sempre passando o cuidado que eles tiveram de montar um episódio que acrescente de verdade à história e não só sirva para encher linguiça. Destaque para o terceiro episódio que é o melhor dos dez, tanto em direção e roteiro, ele trabalha diversas situações ao mesmo tempo da forma mais bem resolvida de toda a série e provavelmente o melhor dirigido.

Mas existem alguns problemas, o principal deles é que a série brinca um pouco com as conveniências. Nada que seja tão grosseiro ao ponto de se tornar um artifício base para resolver as dificuldades encontradas, mas faz ali seu papel presente, que em alguns momentos poderia ter sido trocado por uma ideia mais elaborada.

No geral “Perdidos no Espaço” é uma série bastante decente que consegue trabalhar muito bem sua trama, seus personagens e as relações entre eles. Tem um visual bacana, não chega a ser nada tão original e surpreendente, mas é muito bem definido e traz bons efeitos especiais. Com um gancho para uma possível segunda temporada, ela consegue fugir do quase previsível e é um bom entretenimento.

 


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Jardas Costa

PontoCaster, fã da DC e da Marvel (não DC vs Marvel), apreciador de um bom kalzone e sempre esperançoso por toda obra que está por vir, porque todo bom filme é uma boa forma de se compartilhar a vida.