Perdido em Marte (2015)

“Todo ser humano tem um instinto básico de ajudar os outros. Talvez não pareça ser assim às vezes, mas é a verdade.”

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Título: Perdido em Marte (“The Martian”)

Diretor: Ridley Scott

Ano: 2015

Pipocas: 8/10

Assim como os super heróis e o renascimento de franquias dos anos 80/90, há uma crescente certeza de ao menos um grande filme espacial por ano. 2015 aparece com algo que foge um pouco das tramas desenvolvidas em espaço aberto e parte para a ambientação em Marte, que pode ser um dos pontos chave para o sucesso do longa.

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O filme é baseado no livro de mesmo título, escrito pelo norte-americano Andy Weir. A tripulação da missão em Marte, Ares 3, está no planeta há seis dias. Liderados pela comandante Melissa Lewis (Jessica Chastain), o grupo de seis astronautas realiza uma série de trabalhos científicos, como recolher amostras do solo marciano. Subitamente uma tempestade de areia acelera sua aproximação do local onde está fixado o habitat e o foguete de retorno dos astronautas. Porém, neste trajeto, uma das antenas do habitat se solta e atinge em cheio o astronauta Mark Watney (Matt Damon) que é dado como morto, mas sobrevive ao acidente e começa a viver em Marte sem saber como será a vida em um planeta sem humanos.

A maior qualidade do filme é seu cuidado com os detalhes, visto tanto no retrato do passo a passo da sobrevivência de Mark quanto nas várias reuniões e decisões das inúmeras pessoas envolvidas em sua missão de resgate. A ótima direção consegue tornar seus vários personagens interessantes e relevantes – como Jeff Daniels, que faz o presidente da NASA -, mesmo aqueles que possuem pouquíssimo tempo nas telonas. O roteiro leve e dinâmico também é o maior destaque, conseguindo ser engraçado e não ser bobo – grande parte graças a Matt Damon, que entrega uma ótima performance com seu personagem que esbanja carisma e nos envolve em sua aventura espacial.

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“Perdido em Marte” não possui o peso e grandeza de outros filmes do gênero, o que deixa a desejar em termos de drama no longa. Temos um cara abandonado em um planeta por tanto tempo não surta em nenhum momento e leva tudo como uma grande aventura no deserto do Texas; mas essa é a proposta do filme: divertir e envolver enquanto exalta o poder e importância da ciência – e dessas pessoas que a amam e vivem por ela.

Matt Damon portrays an astronaut who faces seemingly insurmountable odds as he tries to find a way to subsist on a hostile planet.

O saldo de “Perdido em Marte” é o de uma ficção científica com tom diferente: mais leve e otimista, e que opta por um caminho inverso do que foi feito no gênero nos últimos anos. Tem cenas com um exagerado patriotismo, mas também possui uma virada no enredo que quebra todo o clima estadunidense construído ao longo do longa. Com a gigantesca expectativa ao redor do filme, posso ter me decepcionado em partes, mas temos aqui as diversas qualidades típicas de um filme dirigido por Ridley Scott e um novo épico de filmes no espaço.

 

 

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