Orphan Black (2017): uma temporada para suas personagens

Este texto contém spoilers de Orphan Black.

Enfim, pudemos dar um adeus para Orphan Black. Para qualquer um que acompanha a série, quando começou, não da para esperar gostar tanto de uma trama aparentemente simples. Logo estávamos envoltos no seu suspense, complementado por um toque policial e o mais importante: o destaque para o desempenho incrível da atriz Tatiana Maslany, interpretando vários clones, tornando, assim, a primeira temporada uma grata surpresa e única, independentemente de qualquer feito posterior. Nos anos seguintes, foram apresentando temporadas bem diferentes e medianas e série ficou cada vez mais complexa, mas, ainda assim, perseverávamos em assistir. O seu último ano não deixou de ter algo em comum com as outras: se esforçou para entregar o seu melhor, mas não foi perfeita.

orphan black

Dizer que não teve nada de bom nessa temporada, seria uma mentira. Mas, infelizmente, em sua maior parte, a história foi frustrante. Num texto anterior, eu apontei como o primeiro episódio na volta da série preparava o seu desfecho, e indicava ser compensadora. E assim ela se manteve para cada capítulo apresentado, até começar a mostrar que nem tudo garantido para o seu último momento iria cooperar para ser positivo.

Obviamente, esperávamos respostas tanto de plots anteriores, quanto para o que definiria a sua trama, mas optar por introduzir arcos que seriam rapidamente esquecidos, e muito menos se mostrarem relevantes, foi um dos pontos que atrapalharam a narrativa, logo, concluindo ser uma perda de tempo. Com isso, foi se afastando do ritmo animador que começou nesse último ano.

Orphan Black

Mas, o que realmente foi uma barreira – ao mesmo tempo que foi bom – para Orphan Black foi querer ser uma temporada para as suas personagens, sem saber muito bem o que fazer com elas. Isto se deve ao fato de os episódios se dedicarem – à medida que avançavam com a trama – de forma individual para cada clone regular na série. Porém, o resultado foi não conseguir mantê-las com a importância necessária e equivalente a outrora. De fato, era curioso ter um olhar diferenciado para as interpretações (por assim dizer, vê-las tendo os seus momentos) mas acabou por deixar algumas deslocadas – desculpe a repetição e também esquecíveis e desnecessárias diante do que ocorria – e sem o merecimento devido até a metade do caminho que desempenhavam – digo isto por conta de Felix, Alisson e Donnie.

Orphan Black

Felizmente, trabalhar individualmente não prejudicou a interação entre as clones e nem todos os personagens foram afetados, principalmente Cosima, que contava com o foco central para temporada.

Claro que Orphan Black não deixou de recorrer às já conhecidas sacadas da série – que antes eram icônicas – para ser tensa ou explorar alguma reviravolta, que em parte funcionaram – não falo de Sarah fingindo ser outra clone e automaticamente adquirindo a sua personalidade – e chocaram, tornando-se um alívio para qualquer peso na narrativa, só não relevando o episódio. Contudo, tivemos os momentos para dizer que garantiram os acertos e não apontar cada semana como um balde de decepção, mas poderia ser melhor.

Orphan Balck

Tivemos cenas para impactar, chorar – ou forçaram um pouco? – e se divertir com o humor que a série carrega, porém, mesmo diante do que teve de bom ou de ruim, faltava sempre uma motivação depois de terminar um episódio. Respostas vieram, mas uma dúvida permanecia: o que esperar do seu final? A trama prosseguia, mas sem poder desenhar como seria o seu encerramento. No entanto, o desfecho se entregou para não fazer feio: apesar de parecer interminável, foi belo, significativo e, com certeza, feito para guardarmos em nossas lembranças – se não nos atentarmos para as pontas soltas, claro. O que parecia se tratar de um embate corrido, foi além da decepção. Por fim, assim foi a última temporada de Orphan Black: com o objetivo de ser importante para os seus personagens, perdendo o fôlego no meio do caminho, mas podemos dizer sem medo que as Sestras concluíram as suas lutas.

The following two tabs change content below.

Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.