Túmulo do Rock – Onde será que a guitarra foi parar?

Túmulo do Rock é uma série de 3 textos com opiniões controversas sobre heróis da guitarra de ontem, hoje e sempre.

Guitarra

O nascimento dos heróis da guitarra

“Minha espada é a guitarra na mão”, já dizia a letra da música de Raul Seixas que foi eternizada como uma das melhores comunidades do Orkut. O rock é um estilo musical que eternizou inúmeros símbolos: o morcego cuja cabeça foi arrancada por Ozzy Osbourne, a língua de Gene Simons, os chifrinhos do incrível Ronnie James Dio. Contudo, se pudéssemos eleger o maior símbolo do rock, as guitarras estariam em primeiro lugar.

Naturalmente, um instrumento tão icônico tem grandes nomes em quase todos os estilos musicais, desde o Jazz até o calipso (como não citar o mestre, Chimbinha). Mas falando do objeto em si, é impossível não lembrar da guitarra ao contrário de Jimi Hendrix, a Frankencaster de Eddie Van Halen, a Jackson preta com bolinhas de Randy Rhoads, a Les Paul clássica de Slash ou com escudo de alvo de Zakk Wylde e também as Deans poderosas de Dimebag Darrell – o cowboy from heaven. Enfim, é possível fazer um texto apenas com guitarras tão importantes quanto seus donos.

guitarra

guitarra

Guitarra

Dimebag Darrell Guitar

Mas não apenas o instrumento surge como símbolo, os instrumentistas apareciam como heróis por vários motivos. Sua pose, suas técnicas e suas formas originais de abordar o instrumento. Naturalmente, todo esse uso da imagem e do som das guitarras não passaria despercebido pela cultura e se você já fez air-guitar durante qualquer solo, você sabe do que eu estou falando, afinal de contas, se o Skank perguntou “quem não sonhou em ser um jogador de futebol?” eu me perguntou quem nunca sonhou em ser um guitar hero?

A morte dos heróis da guitarra

Mas o tempo passou, e, venhamos e convenhamos, a imagem do guitarrista foi do “boa praça talentoso” para o “hipster esquisitinho” ou o “metaleiro escandinavo que dá medo”. A questão aqui é que o desenvolvimento de como música tem sido feita, provocou uma mudança estrutural nos pilares do rock “que faz sucesso” (aspas para “chega a um público menos nichado).

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Em parte, isso acontece porque o rock perdeu gradativamente seu espaço na grande mídia ainda nos anos 90. E, mesmo o grunge produzindo bons guitarristas (com Jerry Cantrell do Alice in Chains), a MTV elegeu um canhoto que mal conseguia variar os acordes de uma música para outra como novo deus do instrumento. Kurt Cobain, e muitos podem discordar aqui, era um músico muito criativo, mas um péssimo guitarrista, se levarmos sua técnica em consideração (aqui poucos discordam).

Para dar o tiro de misericórdia de vez nas seis cordas, a tecnologia foi entrando cada vez mais na música e na vida das pessoas e chegamos à era de hoje, em que a ~molecada~ gosta mais de MacBook Air do que de Gibson Les Paul, Fender Stratocaster ou qualquer Tonante. Não pretendo entrar no mérito da questão se DJs são músicos ou se Música Eletrônica tem alguma coisa boa, mas o fato é que, se pensarmos em quem influencia mais (fora os digital influencers), os guitarristas perderam o posto e as lojas de instrumento estão muito tristes com isso.

A sobrevida do herói da guitarra

Mas não só de derrotas viveu a guitarra moderna (ou mais ou menos isso). Precisamos concordar que, quando os jogos Guitar Hero saíram, dois públicos ficaram realmente empolgados: gamers mais velhos que sempre curtiram o estilo e os mais jovens que encontraram ali a porta de entrada para drogas mais pesadas o maravilhoso mundo do Rock n’ Roll. Além disso, em algum tempo também teríamos o Rock Band, que traria ainda mais diversidade para esse tipo de video game e também seria responsável por levar mais público para o estilo musical.

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Junto disso, houve uma geração de boas bandas indie que fizeram muito sucesso a partir dos anos 2000, e ainda fazem. São exemplos o Franz Ferdinand, Strokes, Arctic Monkeys, Coldplay e afins. O problema é que todas essas bandas são de rock, nem todas têm na guitarra uma das colunas de sustentação para as composições, e, por fim, não dá pra dizer que existe ali um guitar hero, apesar da evidente qualidade e criatividade dos músicos.

O que falta, talvez, sejam músicos que queiram ser protagonistas e dar protagonismo ao instrumento, algo simplesmente impossível de acontecer sem solos relevantes e momentos em que a guitarra brilhe em um belo monólogo. A questão — será que ainda existe público para isso?


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