O Rastro (2017) – o terror brasileiro dá mais um passo (resenha sem spoilers)

O cinema nacional é conhecido por investir muito em produções cômicas, mas vez ou outra somos surpreendidos por algum projeto um pouco mais ambicioso. Deixando de lado os filmes mais independentes e que seguem o gênero dramático, no ano passado “O Rastro” chegou às grandes telas como uma grande investida ao gênero de horror que tão pouco é desbravado pelas terras tupiniquins. Mas não é só de susto que se faz um bom filme e, por esse motivo, vamos descobrir até onde essa aposta deu certo.

o rastro

Título: O Rastro

Direção: JC Feyer

Ano: 2017

Pipocas: 4/10

Logo no início conhecemos João (Rafael Cardoso), um médico que está à frente de uma operação para transferir pacientes de um hospital que está falido, dando assim, aos enfermos que ali estavam, melhores condições de tratamento. Depois de ter uma breve desavença com um antigo amigo – que, por sinal, está à frente do hospital onde a operação tem início – ele conhece uma jovem menina que, às pressas, foi admitida e permanece lá à espera de atendimento. A jovem desaparece e João começa sua saga em busca do paradeiro da menina. Toda a história do filme é bastante simples, mesmo quando ele tenta passar a impressão de que é mais “esperto” do que parece ser.

Logo em seguida somos apresentados aos elementos sobrenaturais, que em determinados momentos nem parecem realmente fazer parte do mesmo filme. E por que isso? A impressão que dá é que estamos vendo dois filmes diferentes ao mesmo tempo: um primeiro “O Rastro”, que flerta com elementos sobrenaturais de forma bastante leve, investe em politicagem para gerar uma camada extra de conteúdo que, quando bem-feita, é muito agradável; seguido pelo desejo de João de encontrar a jovem Laura, “O Rastro” começa a preparar a sua mudança, indo para os lados do terror psicológico – que poderia ter sido muito melhor aproveitado, já que só existem duas cenas no filme inteiro em que você consegue realmente detectar a paranoia do personagem sem que ele precise se esforçar para isso.

Ao chegar, então, no que muitos achariam que é o clímax ,o filme abraça o “terror” mas o abandona novamente logo em seguida quando decide ser mais humano que sobrenatural em suas escolhas. E esse foi o ponto em que eu parei para me perguntar qual filme que eu realmente estava assistindo.

Se, por um lado, ele escolheu ampliar suas possibilidades de decisões para tentar surpreender o seu público, por outro, ele perdeu a chance de se manter fiel a uma proposta que foi vendida no momento da sua divulgação, resultando em não conseguir um final satisfatório para nenhuma das opções. Em seu desfecho as relações pessoais entre os personagens restantes, principalmente o de Leila (Leandra Leal), esposa de João – que consegue roubar a cena em alguns momentos do filme – é o que dão à história um ponto final já que, a essa altura, todo o resto se resume a pano de fundo.

Entre tentativas, acertos e erros, “O Rastro” pode sim nos dar um norte em relação a imersão de gêneros no cinema brasileiro, principalmente aqueles que já foram consagrados mundo afora. A direção se mostra competente em quase todo o seu percurso, mesmo que os usos do som em diversas cenas incomodem mais do que impulsionem o susto. Mas, como nem todo início é fácil, ainda é preciso de muito para evoluir.

 


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Jardas Costa

PontoCaster, fã da DC e da Marvel (não DC vs Marvel), apreciador de um bom kalzone e sempre esperançoso por toda obra que está por vir, porque todo bom filme é uma boa forma de se compartilhar a vida.