O que é um bom filme?

Cinema é uma incrível fonte de entretenimento que pode levar você do riso às lágrimas em uma única cena. Com a popularização do cinema veio a “crítica cinematográfica”, o método de avaliação que busca explicitar as qualidades e defeitos de um filme. A “crítica” também pode ser ilustrada como um texto que justifique a opinião direcionada de um filme ser bom ou ruim. De todo modo, nunca será imparcial, visto que cada pessoa possui um ponto de vista diferente.

Mas o que define a avaliação boa ou ruim? Seria a direção, atuação, fotografia ou a junção de tudo isso?

Existem exemplos de fracassos de bilheteria e sucessos de crítica, como Blade Runner (1982) e Clube da Luta (1999); fracassos de crítica e sucessos de bilheteria, como as sagas Cinquenta Tons de Cinza (2015 – 2018) e Transformers (2007 – ∞); e fracassos na vida, como os primorosos Dragon Ball Evolution (2009) e Lanterna Verde (2011).

Uma imagem. Muitas camadas.

Porém, o sucesso moral de um filme me parece estar mais relacionado com a subjetividade de quem assiste. Nesse ponto, os filmes funcionam de maneira similar às pessoas.

Para que você goste uma pessoa, ela precisa apresentar características que façam você se sentir bem com a presença dela. Geralmente nos conectamos com pessoas que contribuem para o nosso crescimento pessoal, e isso se deve mais à maneira como elas se apresentam do que aos clichês que as definem, como beleza, inteligência, projeção social, entre outros.

Por exemplo, você provavelmente se sente melhor ao lado de alguém que diz “eu sei que você pode fazer isso” e não tão bem assim com um adepto do “você nunca vai conseguir fazer isso”, e isso independe de como essas pessoas se apresentam socialmente. Filmes possuem uma relação parecida com o espectador.


Alguns filmes se caracterizam por explicar cada significado de maneira didática, o que pode ser interpretado como a descrença do diretor na capacidade de julgamento do público. Outros diretores, entretanto, optam por deixar que os significados dos filmes sejam mais implícitos e consequentemente fomentem discussões.

Contraditoriamente, a chave para a interpretação de um filme ou do discurso de uma pessoa reside em você, o espectador/receptor, e isso é mais simples do que parece.

Quando você interage com alguém, esse interlocutor pode interpretar as suas expressões e responder adequadamente. Quanto mais adequadas as respostas, melhor o relacionamento. A obra cinematográfica por outro lado, não se altera estando você​ triste ou feliz. Pelo contrário, é você quem avalia o filme de acordo com o seu momento pessoal.

Foto de Pim Chu – Unsplash

Então, para que um filme seja considerado “bom”, além das qualidades técnicas, depende do momento e da mentalidade com que você assiste. Aqui entra a “suspensão de descrença” na fantasia e o “distanciamento” no terror, que são comportamentos necessários para a apreciação desses estilos. Logo, é intuitivo concluir que a avaliação positiva ou negativa que permanece sobre de um filme não é necessariamente um papel da crítica, mas está relacionado especialmente com a maneira que assistimos.

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