O Quarto dos Esquecidos (2016): mais do mesmo sem esforço

O Quarto dos Esquecidos foi escrito, curiosamente, por Wentworth Miller (de Prision Break, e também do excelente “Segredos de Sangue”) e D.J Caruso (do interessante Paranoia). Com roteiro baseado numa história real temos o casal Dana (Kate Beckinsale mais uma vez estrelando um filme de suspense) e David Barrow (Mel Raido) que, abalados por um trauma, a fim de se estabilizarem, compram uma casa afastada nos campos e se mudam juntamente com o pequeno filho, Lucas Barrow (Duncan Joiner).

Vamos pular essa parte chata em que, claramente, em se tratando do gênero, tem alguma coisa de errada na nova casa, e o tão esperado recomeço está longe de acontecer — pelo menos não onde segredos do passado estão para se manifestar aos novos moradores. Ora, isso não é novo, não vai causar nenhum impacto e, sim deixar claro que este é um enredo batido.

O Quarto dos Esquecidos

 

Mas esse não é o maior problema de O Quarto dos Esquecidos. Em sua maior parte, o filme apresenta o que é esperado, sem nenhum esforço, comprovando o que quer ser, no entanto, seu suspense não consegue ser levado a sério. Para qualquer longa, por mais bizarro que seja, é necessário haver, no mínimo, personagens convincentes para que o telespectador tenha um bom motivo para se apegar e se importar com o que acontece. Esse é outro fator falho aqui.

Se o suspense não consegue ser levado a sério, nem os personagens, a história está longe de acontecer. Em nenhum momento se cria um contexto interessante para apontar algum alívio para o terrível roteiro, simplesmente segue o ritmo clichê, convencido da competência que está desempenhando.

O Quarto dos Esquecidos

Indo adiante disso, como não poderia faltar, no desfecho de “tirar o fôlego”, finalmente, vemos os protagonistas dando algum fechamento para todo mal que lhes é causado, porém, se você quiser alguma surpresa, essa é a hora, pois nem isso o filme acertou. E, nessa surpresa, será também o momento em que questiona o que diabos aconteceu com a direção do longa, diante da confusão de, na vaga tentativa de impactar a qualquer custo, pintar um final feliz.

Sem nada de inovador para acrescentar ao gênero, “O Quarto dos Esquecidos” tende a ser enfadonho com o seu batido roteiro, e, dificilmente, irá agradar para quem esperar por um suspense intrigante.

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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.