Resenha | O Mundo Sombrio de Sabrina: Parte 1 (2018) – da magia à chateação

Muito diferente das clássicas aventuras que crescemos acompanhando na Sessão da Tarde, o spin-off de “Riverdale“, “O Mundo Sombrio de Sabrina”, foi anunciado com uma tremenda atmosfera sombria – como o nome sugere. Com um tom adulto voltado para o sobrenatural, feitiçaria, bruxas e demônios, não tinha como não ficar empolgado para o projeto. No final, ao menos a série vale uma conferida, mas ainda é chata.

Título: O Mundo Sombrio de Sabrina (“Chilling Adventure of Sabrina”)

Criada por: Roberto Aguirre-sacasa

Ano: 2018

Estrelas: 2,5/5

Contém spoilers

Prestes a completar 16 anos, Sabrina Spellman (Kiernan Shipka, da série “Mad Men”), filha do bruxo Edward Spellman (George Daburas) e da mortal Diane Spellman (Annette Reilly), se vê dividida pelo dilema de ser uma adolescente comum ou abrir mão disso para ser uma bruxa, enquanto tenta proteger amigos e família através da magia.

Um feito louvável dessa nova versão de Sabrina, está no fato de termos uma jovem de 19 anos interpretando uma adolescente de 16 – nada de alguém de 30 com carinha de 15 e muita maquiagem. Sendo assim, ver o desempenho de Kiernan dando vida à bruxinha feliz, persistente e determinada só fez confirmar o quanto a escolha da atriz foi pontual e essencial em muitos sentidos.

Se na antiga série e nos filmes de Sabrina vimos Melissa Joan Hart viver uma auto descoberta, amar, se apaixonar e saber a importância disso numa abordagem leve, “O Mundo Sombrio de Sabrina” se inspirou mais nos moldes dos quadrinhos e nos clássicos de terror. A investida resultou numa passagem com direito a feitiços, mundos paralelos complexos e obscuros, e até mesmo canibalismo. Parece um retrato fiel das HQs (principalmente sobre personalidade de Sabrina), mas não há como negar que tivemos muito de várias outras empreitadas adolescentes que surgem todos os anos.

É verdade que a Sabrina dos quadrinhos é uma pessoa disposta a proteger a quem ama, tanto que usa a magia para assegurar isso. O problema é que essa questão vestiu a série numa espécie de abordagem “procedural” em que a cada episódio a moça descobre algo controverso e eticamente muito errado que precisa ser resolvido por ela – sendo capaz até de desvendar um enigma de muitos anos em um minuto. Nessa fórmula fica fácil não se importar com que a moça descobre, já que tudo culmina para a previsibilidade.

As tias Helda e Hilda.

A partir daí o roteiro não fugiu das saídas manjadas e convenientes para manter certos arcos na série – como a relação de Sabrina com a professora Mary Wardwell (com Michelle Gomez roubando a cena). Desviando da chatice procedural, a série se dedicou a destacar o protagonismo feminino, firmando ainda mais isso através da Sra. Wardwell.

Se tratando dos personagens, a série conseguiu muito bem definir os conflitos internos – o tedioso filler dos pesadelos é um grande exemplo disso – fazendo o público se importar rapidamente com a curiosa relação conturbada das irmãs e tias de Sabrina, Hilda e Helda Spellman (Lucy Davis e Miranda Otto, respectivamente), assim como a solidão do carismático Ambrose (Chance Perdomo). Além disso, foi interessante ter uma história relevante que justificasse o uso dos óculos de uma das melhores amigas de Sabrina, Rosalind Walker (Jaz Sinclair). Geralmente, é fácil ver um personagem adolescente usando aparelho nos dentes e óculos como representações de intelectualidade e nerdice.

o mundo sombrio de sabrina

Agora, se tratando daquele contraste das pessoas opostas na vida de Sabrina foi clichê em tudo. O trio, chamado das Irmãs Estranhas – que causam estranheza assim que aparecem –, se resume apenas em: Prudence (Tati Gabrielle, a Gaia de “The 100”), a que dita o que o grupo irá fazer; Agatha (Adeline Rudolph) e Dorcas (Abigail F. Cowen) é a dupla que se completa, uma fala e a outra conclui a frase. Chega a ser um desserviço na maior parte do tempo, em que se resumem a perseguir Sabrina.

Apesar de todo o desenvolvimento ter sido demasiadamente chato, a parte 1 de “O Mundo Sombrio de Sabrina” (que foi renovada até a quarta temporada) serviu para nos introduzir às virtudes de Sabrina Spellman. No meio disso, a vemos debater, questionar, tomar difíceis decisões e sofrer perdas enquanto descobre sobre suas origens e o que quer ser. Enquanto abril não chega, para termos mais dessa fórmula chata – ou não – e belíssimo toque da câmera desfocada ao fundo representando a magia, o especial de natal é um pequeno vislumbre do que iremos nos deparar. No mais, se contente, pois, Salem não vai falar.

 


Gostou do texto? Gosta de escrever também? Seja um colaborador do PontoJão! Entre em contato conosco pelo Twitter, pelo grupo do Telegram ou mande um e-mail para contato@pontojao.com.br

 

The following two tabs change content below.

Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.